Bombeiros de São Paulo dão aula de resgate

142 oficiais de 22 Estados do Brasil e de outros três países participam de treinamento em Franco da Rocha

CRISTIANE BOMFIM, Jornal da Tarde

28 de fevereiro de 2012 | 11h20

Com a maior frota de veículos do País, resgatar vítimas em acidentes que envolvem carros, motos, caminhões e ônibus é o atendimento mais comum feito pelos bombeiros na capital. Só no ano passado foram cerca de 120 mil ocorrências deste tipo ou 60% do total de mais de 200 mil. Os números altos se transformaram em laboratório e fizeram de São Paulo referência nacional em salvamento veicular, o que atrai bombeiros de outros Estados em busca de treinamentos e especialização.

Esta experiência foi suficiente para que os bombeiros de São Paulo pudessem realizar a primeira edição do Rescue Days Brazil (dias de salvamento). O treinamento que começou ontem e vai até quinta-feira tem como foco o resgate de vítimas de trânsito e conta com a participação de bombeiros de 22 Estados brasileiros, além de 4 colombianos, 1 peruano e 1 costa-riquenho. No total, são 142 oficiais, que assistem palestras e aulas teóricas no período da manhã e participam de oficinas práticas durante a tarde.

 O JT acompanhou o primeiro dia de curso. Na primeira parte, os bombeiros tiveram aula teórica com dicas de segurança que vão da sinalização da área de trabalho até técnicas para “desencarceramento”, ou seja, retirada de todas as ferragens ao redor da vítima.

Depois do almoço reforçado, eles vestiram as roupas para atendimento de ocorrência, que pesam quase 4 quilos. O capacete tem quase um quilo, com óculos e viseira acoplados.

“Em média, demoramos um minuto para vestir esta roupa”, contou o capitão Carlos Roberto Rodrigues, que é responsável pelo curso. A reportagem levou pelo menos cinco minutos.

Em toda a Escola Superior de Bombeiros, que fica em Franco da Rocha, Grande São Paulo, estão espalhados 53 veículos (40 carros, 9 blindados, 2 caminhões e 2 ônibus) amassados, capotados, prensados em postes, tombados e até submerso em uma piscina.

A primeira lição é retirar todas as ferragens de um carro capotado. Primeiro é preciso arrancar as portas da frente, depois as de trás. Para isso se usa ferramentas pesadas como o cortador, o alargador e o extensor. De longe parece fácil, mas a roupa pesa e dentro dela o calor é sufocante, a vítima não pode ser atingida e o tempo é curto. Coisas que parecem não incomodar os bombeiros.

“Na hora do resgate você esquece o calor e se preocupa em salvar a vítima”, conta o bombeiro de Tocantins Erisvaldo de Oliveira Alves, de 30 anos. É a primeira vez que ele vem a São Paulo. “O Estado é referência. Vim para saber sobre resgate em carros blindados”, disse. O corte dos carros para salvamento rápido e sem riscos de vítimas causou estranheza no bombeiro colombiano José Orlando Caballeros, de 47 anos. “Um protocolo em meu país não permite que carros sejam cortados. É muito custoso ter um e a maioria não tem seguro”, disse ele, que também não está acostumado a trabalhar com blindados. “Quero ampliar o conhecimento.”

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