Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Bombeiros aumentam áreas de buscas e ainda resfriam terreno no Paiçandu

Cinco pessoas seguem desaparecidas, entre elas duas crianças; nesta sexta, corpo de vítima foi encontrado nos escombros

Fabiana Cambricoli e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 20h11
Atualizado 06 Maio 2018 | 11h03

SÃO PAULO - O Corpo de Bombeiros ampliou neste sábado, 5, a área de buscas por vítimas do desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paiçandu, centro de São Paulo, atingido por um incêndio na última terça-feira, 1º.

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Quase cinco dias após a tragédia, os agentes ainda resfriam a área dos escombros para poder seguir com o trabalho de resgate. Cinco pessoas seguem desaparecidas, entre elas duas crianças. 

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A ampliação da área de buscas foi definida após os bombeiros encontrarem, nesta sexta-feira, 4, o corpo de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, de 39 anos, morador do prédio que chegou a ter o resgate iniciado por uma corda, mas acabou morrendo com a queda da estrutura.

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"Antes tínhamos uma área de atuação mais restrita porque estávamos focados no local onde foi encontrada a corda amarrada ao Ricardo. Agora, essa área dobrou de tamanho. Temos dois pontos principais de trabalho, ambos na parte de trás do edifício", declarou o tenente Guilherme Derrite, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

O trabalho da corporação segue durante 24 horas, com 60 agentes. Eles contam com auxílio de maquinário especializado para retirada de escombros. 

Os cães farejadores foram acionados algumas vezes durante o dia, mas, segundo Derrite, não havia, ate o início da noite, sinais de novas vítimas. "O ambiente não está 100% favorável ao emprego do cão. Estamos esfriando o terreno porque no momento que são retiradas partes da superfície, a fumaça aparece. Isso acontece porque os ambientes de baixo ainda estão aquecidos", declarou. Ele afirmou que a possibilidade de encontrar sobreviventes "é remota".

Igreja

Neste sábado, de acordo com o tenente-coronel Humberto César Leão, a corporação reforçou o isolamento na igreja luterana a pedido do pastor Frederico Carlos Ludwig para que os materiais fossem guardados. "Isolamos porque o pastor pediu todo cuidado possível com esse material, que pode vir a ser usado na reconstrução da igreja. Os tijolos, revestimentos e outros itens estão sendo separados para essa possível utilização", afirmou o tenente.

Estudo

O colapso do edifício após o incêndio atraiu a atenção de pesquisadores das áreas de engenharia e arquitetura. Paulo Helene, diretor técnico do Instituto Brasileiro do Concreto  (Ibracon), coletou amostras da estrutura para testes em laboratório. "Coletamos pedaços de concreto e aço para entender o que aconteceu. Uma estrutura desse porte não deveria cair tão rapidamente, 1h15 de incêndio é muito pouco tempo". 

Ele lembrou que outros edifícios que tiveram grandes incêndios, como Joelma e Grande Avenida, não ruíram. "Nosso objetivo é aprender com essa tragédia. Temos centenas de edifícios dessa mesma época espalhados por São Paulo, muitos inclusive habitados legalmente, e precisamos saber que medidas adotar para protegê-los de acidentes."

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos também esteve no local para uma investigação sobre as características do prédio que podem ter colaborado para o colapso. O arquiteto Weber Souza Pereira diz que o acidente pode trazer importantes lições de segurança. 

"Sabemos, por exemplo, que o prédio não tinha pintura intumescente que teria sido importantíssima para controlar a propagação do fogo. Essa pintura deve ser refeita a cada 5 anos e o edifício estava abandonado há 18, então não havia essa proteção para a estrutura metálica", diz.

Para eles, uma série de condições colaboraram para a propagação rápida do fogo, mas, ainda assim, dizem que a estrutura não deveria ter colapsado. "Os fossos de elevador e a falta de paredes ajudaram a propagar as chamas. Os madeirites usados pelos moradores alimentaram o fogo. Ainda assim, um edifício em geral suporta um incêndio. Ele ter caído é estranho. Com essa rapidez, mais estranho ainda", diz Helene.

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