JB NETO/ESTADÃO
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Bombeiros atenderam 83,5 mil casos de acidentes traumáticos no ano passado

Ocorrências de trânsito com vítimas ainda correspondem ao maior número de atendimentos da corporação

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

10 Março 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo passou a divulgar em janeiro as estatísticas de produtividade do Corpo de Bombeiros, mas só com índices referentes a 2016. Levantamento do Estado aponta que, além do número de desabamentos em São Paulo, os índices de acidentes traumáticos e incêndios em vegetação também subiram no ano passado. Já os acidentes de trânsito com vítima e incêndios em veículos tiveram recuo.

Com 30.668 casos notificados, os incêndios em vegetação registraram a maior alta: 42,2% em comparação ao ano anterior. Em 2015, haviam sido 21.568 registros. "É o tipo da ocorrência que não dá para controlar", diz a capitão Cíntia Nardy, porta-voz dos bombeiros. "Um período de estiagem prolongado colabora muito para isso."

Já nos acidentes traumáticos, são incluídas ocorrências diversas, como quedas acidentais, ferimentos de armas brancas ou disparos de arma de fogo, que foram atendidas pela corporação. Ao todo, os casos somaram 83.539 em 2016, ante 80.592 notificações em 2015. Um aumento de 3,6%.

Apesar da redução de 4,9%, os acidentes de trânsito com vítimas ainda correspondem ao maior número de atendimentos dos bombeiros, com 108.761 casos no ano passado. Em 2015, foram 114.402 registros. Já os incêndios em veículos, criminais ou provocados por falhas mecânicas ou acidentes, caíram 6,2% no período, de 7.515 para 7.046 notificações. 

Segundo a capitão Cíntia, a principal preocupação dos bombeiros é com o número de vítimas de uma ocorrência. "A gente prioriza o salvamento das pessoas e é gratificante quando percebemos que a nossa ação fez a vida daquela pessoa se prolongar", diz.

"É sempre uma adrenalina trabalhar no resgate, nunca sabemos o que nos espera", afirma o médico socorrista Raphael Caggiano, do Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergência (Grau). Formado por médicos e enfermeiros civis, o grupo é vinculado à Secretaria Estadual da Saúde, mas atua em parceria com os bombeiros.

Caggiano não sabe dizer quantas pessoas viu morrer. Nas palavras do médico, o dia a dia de um socorrista é "marcado por tragédias" e os plantões, "compostos por perdas". "Sempre vamos imaginando a gravidade da vítima, nos preparando. Se uma moto bateu em um poste, por exemplo, é possível que a gente encontre um cenário de traumas variados."

Certa vez, foi acionado para uma ocorrência no Terminal Parque Dom Pedro II, no centro da capital. Um macaco hidráulico rompera e um ônibus caiu em cima de um mecânico.  "Ele ficou preso entre o chão e o veículo", lembra Caggiano. A vítima foi resgatada em estado gravíssimo, com fratura de todos os membros, na bacia, afundamento de tórax e traumatismo craniano.

Após meses no hospital, recebeu alta. Desde então liga todos os anos para agradecer ao socorrista na data do acidente. "É muito bom voltar para casa com a sensação de dever cumprido, porque naquele dia você conseguiu fazer a diferença para alguém, que não é só para vítima. Para a família, aquele ente querido é tudo", afirma.

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