Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Bombeiros ainda não localizaram 44 moradores, mas apenas um é considerado desaparecido

Homens da corporação trabalham no resfriamento do local; trabalho continuará noite adentro

Marco Antônio Carvalho e Renan Cacioli , O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 17h33

O Corpo de Bombeiros continua trabalhando numa atividade de resfriamento dos escombros do prédio que desabou após um incêndio, durante a madrugada desta terça-feira, 1, no centro de São Paulo. Oficialmente, apenas uma pessoa é considerada desaparecida. Mas outras 43 ainda não foram localizadas. Porém, como não havia nenhum controle de entrada do prédio, isso não significa que as 44 estejam desaparecidas, pois elas poderiam estar fora do local no momento do acidente.

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A vítima desaparecida é um homem identificado como Ricardo e estava em procedimento de resgate, já amarrado por um cinto dos bombeiros, quando o prédio ruiu e desapareceu em meio aos escombros, fumaça e fogo. “Mantemos um fio de esperança, mas ele caiu do oitavo andar. Precisaria de um milagre. Mas isso não faz com que o nosso trabalhado seja reduzido. Ao contrário, continuamos as buscas”, disse o capitão Marcos Palumbo, porta-voz da corporação.

Desde a 1h30 da madrugada, 170 bombeiros em 47 viaturas trabalham contra o incêndio no prédio que era ocupado por pessoas sem moradia. À tarde, 96 homens e mulheres continuavam no serviço, com o auxílio de 30 viaturas. Segundo a corporação, os trabalhos poderão se estender por mais de uma semana. Palumbo explicou que, primeiro, os bombeiros estão se concentrando em remover entulhos do entorno da área, para então tentar mover estruturas maiores. “Há pilares ali de toneladas. Então, não posso arriscar. Nas primeiras 48 horas, estamos removendo os escombros do entorno para então chegar ao centro com auxílio de máquinas”, disse.

Segundo o porta-voz, a pedido do Ministério Público, bombeiros tinham realizado uma inspeção no local em 2015. Na oportunidade, constataram obstrução em rotas de fuga devido ao acúmulo de lixo e materiais inflamáveis, além de problemas na instalação de gás de cozinhas nos apartamentos. O poço do elevador, vazio, funcionaria como um elemento que tornaria mais veloz a propagação do ar quente para os andares superiores. “Uma hora depois do começo do incêndio, o prédio ruiu”, destacou o capitão. 

Segundo ele, as constatações foram encaminhadas aos órgãos municipais e ao MP para providências. “Mas isso não cabia aos bombeiros. Não cabia a nós interditar o prédio”, disse. Para o capitão, seria ideal que fosse montada uma força tarefa em edificações com características similares para a retirada de moradores em situação de risco. Segundo o Corpo de Bombeiros, a assistência social da Prefeitura levantou a informação de que 317 pessoas de 118 famílias viviam no local.

Os trabalhos na área no centro de São Paulo deve entrar pela noite com uma estrutura de iluminação artificial. Uma retroescavadeira da Prefeitura também auxilia na remoção dos escombros. A atividade de resfriamento leva a emissão de bastante vapor de água, parecida com uma fumaça branca, que se espalha pelo entorno. A área segue isolada e famílias do prédio recebem auxílio no Largo Paissandú, onde chegam muitas doações de água, alimentos e roupas.

Antes e depois do desabamento

 

 

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