Bombeiros acreditam que incêndio em favela de SP foi criminoso

Intensidade do fogo em pouco tempo despertou a atenção da corporação; perícia será realizada no local para identificar causas 

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 21h21


SÃO PAULO - O Corpo de Bombeiros acredita que o incêndio na favela do Piolho, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, tenha sido causado de forma criminosa e proposital. A crença parte de indícios como intensidade do fogo, altura das labaredas e a recepção dos moradores aos bombeiros. 

O porta-voz da corporação, capitão Marcos Palumbo, disse não ser normal, em uma ocorrência atendida tão rapidamente (quatro minutos após o chamado, a primeira viatura chegou ao local), encontrar um incêndio tão forte. "Pode ter acontecido algo criminoso ali. Tem essa grande suspeita porque não é normal ter aquela quantidade de labaredas em ocorrência atendida tão prontamente", disse.

Mesmo com barracos de madeira, o fogo não deveria ter se espalhado tão rapidamente, de acordo com os bombeiros. A suspeita da corporação aumentou após a recepção nada amistosa da comunidade. "Fomos recebidos a pauladas, pedradas e até tiros", disse Palumbo. O porta-voz reforçou que a perícia técnica na área terá condições de apontar as causas do incêndio e confirmar ou não a sua tese. Ainda não há causa oficial para a ocorrência.

O incêndio teve início por volta das 21h deste domingo e os moradores haviam relatado que problemas elétricos poderiam ter começado o fogo no local. A ocorrência forçou a saída de cerca de 500 famílias que moravam na favela. Ainda na madrugada, o fogo foi controlado, mas as atividades de rescaldo continuavam. Na manhã desta segunda, algumas das famílias já começavam a retornar para limpar e demarcar novamente os terrenos.



Hidrante. O Corpo de Bombeiros voltou a negar qualquer problema quanto ao abastecimento de água das suas viaturas para combate às chamas. A reportagem do Estado presenciou no domingo a tentativa frustrada dos bombeiros em acessar a água de um dos hidrantes, na rua Cristóvão Pereira, ao lado da favela. 

O capitão Palumbo reforçou que a situação não representou prejuízo na operação. "A água de hidrantes é levada a outros veículos. Não há possibilidade de que a água dos hidrantes saia direto para as mangueiras de ataque porque não há pressão suficiente", explicou. 

A operação contou com o uso de mais de 290 mil litros de água, que foram levadas por caminhões-tanques e outros hidrantes das imediações, assim retirado de prédios próximos. "Tínhamos água para segurar por muito tempo o combate ao incêndio", disse o capitão.

Apesar da aparente falta de importância de um hidrante quebrado na operação deste domingo, a situação serviu para que o assunto fosse retomado por autoridades públicas. O Ministério Público reforçou nesta segunda-feira, 8, que solicitou à Companhia de Saneamento Público do Estado de São Paulo (Sabesp) a apresentação em 15 dias de um cronograma de conserto dos hidrantes na capital. 

O MP entende que é responsabilidade da Sabesp manter em correto funcionamento esses equipamentos. O órgão, no entanto, discorda e aponta a responsabilidade para a Prefeitura. A administração municipal reforça o entendimento do MP e nega competência sobre o assunto. Diante do impasse com a Sabesp, o MP já cogita o pedido de medidas judiciais para que os hidrantes sejam consertados. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.