FELIPE RAU/ESTADÃO
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Bombas vão escoar água das ruas da Vila Itaim, alagada há 2 dias

Moradores ficarão isentos de IPTU por causa da enchente; ainda não há previsão de quando a situação voltará ao normal

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2015 | 21h16

Há dois dias convivendo com alagamentos, a Vila Itaim, na região do Jardim Romano, extremo da zona leste da capital paulista, deve receber bombas para ajudar a escoar a água acumulada. Três equipamentos, cada um com capacidade para drenar 80 litros por segundo, foram prometidos pela Prefeitura nesta quarta-feira, 18. Ainda assim, não há previsão de quando a situação voltará ao normal.

Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Adalberto Dias de Sousa, as bombas vão devolver a água para o Rio Tietê. A drenagem, no entanto, pode perder a eficiência se o nível do rio voltar a subir. “O escoamento também vai depender de fatores climáticos, como o volume das chuvas.”


Sousa afirmou que a água será despejada na área onde deveria ter sido construído um pôlder, estrutura para conter enchentes. A obra foi prometida em 2013 e seria realizada por meio de parceria entre Prefeitura e governo estadual, mas ainda não saiu do papel. “Alagamento sempre tem, o problema é a permanência da água”, diz o subprefeito.

Problemas. Ao entrar na casa do pedreiro José Oliveira, de 42 anos, é possível sentir o cheiro de mofo e esgoto. Mesmo com chuvas mais fracas nesta quarta, a água permanecia com meio palmo de altura. “Todo ano faço reforma, chega uma hora que desanima.”

As rachaduras são visíveis nas paredes da garagem. Dentro de casa, os sofás estão apoiados em blocos de concreto e a geladeira, sobre cadeiras. Por causa do alagamento, Oliveira não foi ao trabalho. “Não dá para deixar tudo assim.”

Vizinho do pedreiro, o auxiliar de montagem Marcos Luciano, de 39 anos, também ficou em casa. O quintal virou uma piscina e a família resolveu se confinar no andar de cima da residência. “A gente corre o risco de perder o emprego ou de pegar uma doença.”


As chuvas alagaram completa ou parcialmente ao menos 18 vias da região, segundo a Subprefeitura de São Miguel Paulista. A estimativa é de que as enchentes tenham afetado cerca de 300 famílias e atingido até mesmo casas com comportas.

É o caso da dona de casa Terezinha Oliveira, de 50 anos. “A água entra até por baixo do chão, que tem cerâmica”, conta. Para tentar evitar o alagamento, Terezinha recebeu ajuda dos filhos que, com panos, enxugavam a água que entrava. “Foi a madrugada inteira molhando o pano e torcendo. Não dormi nem por cinco minutos.”

Já na casa da costureira Marli Almeida, de 53 anos, ontem, a água permanecia na altura do joelho. “Trinta ternos molharam e vou ter de jogar fora.” O prejuízo, segundo ela, é de R$ 400 por peça. Apenas uma notícia foi boa nos últimos dias: o filho de Marli, Willian Silva, de 33 anos, eletrocutado enquanto tentava retirar uma geladeira da água, passa bem no hospital.

Para o subprefeito de São Miguel Paulista, a retenção de água na Vila Itaim pode ter sido provocada pelo fechamento das comportas da barragem da Penha, no Rio Tietê. “Os técnicos entendem que, se baixar, a água escoa mais rápido.”

Responsável pela barragem, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) afirma que as comportas “estavam e continuam totalmente abertas”. “Se não foi a barragem, a gente precisa fazer outro modelo de drenagem”, diz Sousa.

O subprefeito afirmou ainda que os afetados vão ser isentos no próximo IPTU. Em alguns imóveis, o valor chega a R$ 1,5 mil. “A gente acorda cedo para trabalhar embaixo d’água. E ainda teria de pagar?”, questiona a moradora Vera Costa.

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