Antonio Cruz / Agência Brasil
Antonio Cruz / Agência Brasil

Bolsonaro silencia sobre chuvas em São Paulo

Na noite desta segunda-feira, o Ministério do Desenvolvimento Regional informou que, diante das chuvas sobre São Paulo, o governo ofereceu "o auxílio necessário da Defesa Civil Nacional".

Julia Lindner e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 19h41

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as fortes chuvas que atingem São Paulo desde a madrugada desta segunda-feira, 10. Ao longo do dia, Bolsonaro evitou conversar com jornalistas em ao menos duas ocasiões. No final da tarde, foi indagado sobre a situação da capital paulista diversas vezes, mas não respondeu.

O presidente alega que não vai conversar com a imprensa porque teme que as suas falas sejam "deturpadas" pelos profissionais. Ele ficou incomodado com a repercussão negativa de suas declarações sobre portadores de HIV, a quem se referiu na semana passada como 'aidéticos', e afirmou que representam "uma despesa" e um "prejuízo para todos" no Brasil.

O temporal que atingiu São Paulo somou 114 milímetros, o que, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), representa a 2.ª maior chuva para o mês de fevereiro em 37 anos - o volume só não é maior do que o registrado em 2 de fevereiro de 1983, quando chegou a 121,8 mm. O acumulado dos dez primeiros dias de fevereiro já equivale a 96% do previsto para todo o mês.

Os efeitos foram notados em todas as partes da capital e em cidades da região metropolitana, com deslizamentos e dezenas de alagamentos. Procurado, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre as chuvas e eventuais medidas que podem ser adotadas pelo governo federal.

No mês passado, Bolsonaro sobrevoou áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais, após o Estado registrar 55 mortes e mais de 45 mil desalojados. 

Enquanto a chuva castigava a capital paulista nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cumpria viagem oficial aos Emirados Árabes Unidos. Em sua conta pessoal no Twitter, o tucano escreveu que é "importante todos ficarem atentos às recomendações de segurança para que se protejam e evitem áreas de risco".

Doria e Bolsonaro estão com as relações estremecidas há algum tempo. Na semana passada, em entrevista ao Estado, o presidente criticou o governador. "Não vem me falar desse nome do governador de São Paulo para mim, não. Pergunte se ele sabe o que é “Bolsodoria” (slogan usado pelo tucano na campanha) e se o autorizei a usar alguma vez na vida. Esquece", afirmou Bolsonaro na ocasião.

Bolsonaro já anunciou a pretensão de disputar a reeleição em 2022, quando poderá ter Doria como adversário na corrida pelo Palácio do Planalto.

Na noite desta segunda-feira, o Ministério do Desenvolvimento Regional informou que, diante das chuvas sobre São Paulo, o governo ofereceu "o auxílio necessário da Defesa Civil Nacional".

"O Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (#Cenad) segue monitorando a situação das chuvas na região Sudeste", informou a pasta, no Twitter.

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