Bolsões de crack tomam locais nobres e pontos históricos

Barracas improvisadas com saco de lixo servem de abrigo para usuários na Sé; consumo é ao ar livre na Avenida Paulista

Marcel Naves, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 02h03

Bolsões de usuários de drogas estão surgindo até mesmo em centros históricos e bairros nobres. Em locais como a Avenida Paulista, a Rua da Consolação e a Praça Roosevelt, o consumo de droga é feito ao ar livre. Na Praça da Sé, onde estão localizados o Tribunal de Justiça de São Paulo e o quartel do Corpo de Bombeiros, a situação é crítica, como constatou a reportagem da Rádio Estadão.

Barracas improvisadas com saco de lixo servem de moradia e de abrigo para o consumo de crack na Sé. Os comerciantes da região, que preferem não se identificar por questão de segurança, se queixam de abandono. Dependentes químicos que frequentam o local falam sobre as regras de convívio. Selma, de 43 anos, que é mãe de um bebê de 5 meses, vive de doações. "Vou esperar a comunidade chegar para trazer umas cobertas, aí a gente dorme" conta.

Para enfrentar o frio, Claudio, de 34 anos, utiliza o material que estiver mais próximo e não abre mão de bebida. "A gente se vira com o que tiver, plástico ou papelão. O importante é ficar acordado, por isso a gente bebe cachaça", diz ele.

Também no Glicério, na Santa Efigênia e na Nova Luz, na região central, as "cracolândias" crescem diariamente. Em Santana, na zona norte, onde o consumo de crack ocorre ao ar livre, não é raro o registro de assaltos. Procurada, a Polícia Militar de São Paulo não quis se pronunciar.

Combate. À Rádio Estadão, o prefeito Fernando Haddad (PT) garante que o combate às "minicracolândias" é feito. "Fizemos várias ações de desmanche de instalações em praça pública, com muita efetividade, agora estamos incorporando a área da saúde, pois no caso do crack não se trata de um morador de rua usual, é uma pessoa que tem um problema adicional", afirma Haddad.

Na avaliação do psiquiatra Ronaldo Laranjeiras, coordenador do Projeto Recomeço (focado no atendimento a dependentes químicos), a situação deixa evidente que as políticas de combate às drogas do poder público ainda estão longe de alcançar o seu objetivo.

Laranjeiras classifica como "vergonhosa" a existência de cracolândias. Segundo ele, em "nossas fronteiras com a Bolívia, que é um dos maiores produtores de cocaína e exporta para o Brasil, não existe praticamente nenhum tipo de restrição". "Qualquer um ficará ofendido em saber que numa cidade como São Paulo ainda exista algo chamado cracolândia", diz.

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