Bolívia tem 15 mil pedidos de anistia de carros

LA PAZ

, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

Dois dias depois de o presidente da Bolívia, Evo Morales, começar a anistiar veículos contrabandeados de outros países, mais de 15 mil carros e caminhões já foram registrados na Alfândega do país. A maior parte dos "chutos", como são chamados, foi registrada no Departamento de Santa Cruz (o mais próximo da fronteira com o Brasil), seguido de Cochabamba e La Paz. As três cidades estão na rota de quem vem de Corumbá, por uma estrada única, passando pelo Rio Paraguai e depois por Puerto Quijarro e Puerto Suarez até a capital boliviana.

A procura surpreendeu até as autoridades. O Ministério de Economia e Finanças informou que esperava 10 mil registros em 15 dias (período definido para a anistia). Outras autoridades estimavam que o número poderia chegar a 20 mil veículos. No entanto, sindicatos de motoristas profissionais afirmavam que o número poderia chegar a 100 mil registros de veículos contrabandeados em pouco tempo.

A presidente da Alfândega, Marlene Ardaya, informou ontem que a polícia enviou reforço de patrulhamento para a fronteira para evitar o ingresso de mais veículos contrabandeados. "A lei só beneficia veículos que se encontravam no país antes de quarta-feira", afirmou, referindo-se à data de promulgação da lei pelo presidente Morales.

Essa instituição também recebeu informações das polícias de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru sobre carros roubados que poderiam sofrer tentativa de legalização. No entanto, autoridades observam que é muito difícil verificar a legalidade ou não de um automóvel - normalmente, os criminosos alteram chassis e motor de veículos roubados em países vizinhos. Esse carro acaba sendo repassado, portanto, como contrabando - o que permite a legalização.

Tráfico. Sob críticas de que a medida ainda beneficia o narcotráfico, a Direção de Prevenção ao Roubo de Veículos da Polícia de La Paz reconheceu que automóveis roubados na área de fronteira estão sendo mais facilmente trocados pela cocaína boliviana. / EFE e AP

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