Daniel Espinoza/ABI
Daniel Espinoza/ABI

Bolívia devolve pela 1ª vez carro roubado no Brasil

Diretor de empresa de Duque de Caxias teve veículo levado por ladrões em maio em SP

Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

CUIABÁ

Ricardo Gondim do Espírito Santo, diretor de uma empresa de aluguel de carros em Duque de Caxias (RJ), recebeu do governo boliviano seu Gol que havia sido roubado em maio em São Paulo. "Ele já havia dado por perdido", afirmaram colegas de trabalho. Foi a primeira repatriação desde a polêmica lei que permitia a legalização de carros contrabandeados que passassem pela fronteira.

O veículo foi encontrado no dia 28 de abril em La Paz e apreendido pela Dirección de Prevención de Robo de Vehículos (Dirove) da polícia boliviana. Há 15 dias, Espírito Santo não acreditou quando recebeu um telefonema da embaixada brasileira na Bolívia comunicando que o seu carro havia sido recuperado. No telefonema, o embaixador brasileiro na Bolívia, Marcel Brito, informou que deveria seguir até a capital boliviana portando toda a documentação para recuperar seu veículo.

Segundo o cônsul boliviano em Mato Grosso, José Luís Fuentes, a devolução é a primeira de uma série de outras que acontecerão. Os dois governos firmaram ontem um acordo de cooperação, que permitirá ao Brasil capacitar agentes de fronteira bolivianos nos próximos anos. "Vamos criar um ponto de integração e luta contra o narcotráfico, o tráfico de armas e o roubo de veículos", disse Brito.

Fuentes adiantou ainda que "não há a menor possibilidade" de carros roubados no Brasil serem legalizados. Há milhares de casos suspeitos. Um decreto boliviano determinou que até agosto todos os carros ilegais no país sejam legalizados. Inicialmente o governo está fazendo um cadastro. Depois, todos os carros deverão passar por perícia. "Os que tiverem registro de roubo ou furto serão devolvidos."

Em 2010, cerca de 4,5 mil automóveis foram roubados e/ou furtados só em Mato Grosso. Segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá, 20% foram levados para a Bolívia.

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