Bolívia anistia carro ilegal que está no país

Federação brasileira diz que é salvo-conduto ao roubo; Evo alega que medida ajuda os 'pobres'

Edna Simão, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem que os veículos contrabandeados para o seu país serão legalizados, o que pode estimular o aumento dos roubos de carros no Brasil. O presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Jayme Brasil Garfinkel, encaminhou ontem à tarde ofício ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Aguiar Patriota, pedindo medidas urgentes para reverter a decisão de Morales.

"Esse ato do governo boliviano traz preocupação diante da concreta ameaça à segurança pública, sobretudo quanto ao salvo-conduto dado para o acolhimento de veículos roubados em outros países, especialmente no Brasil, e o consequente aumento da violência", diz um trecho da carta encaminhada a Patriota.

Segundo Garfinkel, Paraguai e Bolívia são os principais destinos dos carros furtados no País. Somente no ano passado, saíram do Brasil para a Bolívia 1,570 milhão de veículos, de acordo com a Fenseg. A entidade diz que, em 2010, 377.250 veículos foram roubados no Brasil e 176.381 (47%), recuperados. O Estado de São Paulo registra o maior número de ocorrências: 186.003 veículos roubados e 77.576 recuperados.

"Direito de todos". Evo justificou a decisão de legalizar os veículos que entram ilegais na Bolívia com o argumento de que são comprados pelos pobres, que buscam melhorar de vida e compram carros sem documentação porque são baratos. "Todos temos o direito de ter nosso carro", disse o presidente boliviano durante uma entrevista coletiva em La Paz.

Nas primeiras horas de vigência da medida, ontem, mais de mil veículos foram inscritos nos postos de controle alfandegário para ser legalizados. Os bolivianos têm 15 dias para pedir a legalização. Após esse prazo, o veículo será confiscado. / COM EFE

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