Boletim policial diz que menina foi jogada do quarto dos irmãos

Polícia encontrou gotas de sangue no corredor e no lençol do quarto dos irmãos, que teve da janela cortada

Carina Urbanin, da Agência Estado,

31 de março de 2008 | 17h52

O boletim de ocorrência do caso da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, que morreu na noite de sábado, 29, ao cair do sexto andar de um prédio na zona norte da capital paulista, registra que ela foi atirada de um quarto diferente do que o pai a colocou para dormir.   Veja também: Veja como foi a tragédia, com base no depoimento do pai e da madrasta  Pai da menina que caiu de prédio ficou desesperado, diz vizinho Polícia não crê em versão de pai de garota que caiu de prédio   Conforme o pai da menina, Alexandre Nardoni, informou em depoimento, ele deixou Isabella dormindo no quarto em que a menina costumava ficar. Porém, segundo o boletim registrado no 9º Distrito Policial pelo delegado Calixto Calil Filho, o corpo de Isabella foi lançado da janela do quarto dos seus dois meios-irmãos, cuja tela estava cortada. Além disso, havia gotas de sangue no corredor entre os dormitórios e no lençol do quarto dos irmãos.   Ainda de acordo com as informações do boletim de ocorrência, Isabella apresentava ferimentos na testa e na perna direita, ambos com sangramento. Isabela foi encaminhada para o pronto-socorro da Santa Casa, mas segundo o boletim, a vítima já chegou sem vida ao hospital.   Os pais de Isabela são separados e a menina passava a cada quinze dias um final de semana na casa do pai, que mora com sua atual mulher, Anna Carolina Peixoto, e os dois filhos do casal - um de três anos e outro de 11 meses. De acordo com o boletim, Alexandre afirma que deixou a esposa e os filhos no carro e subiu para colocar a menina que já dormia na cama. Ele diz que destrancou o apartamento, deixou-a dormindo e ao sair, apagou todas as luzes e trancou novamente o apartamento.   Ainda segundo o boletim, o pai da menina teria então descido para ajudar a carregar as outras duas crianças. Quando voltou com os dois filhos e a esposa, Alexandre destrancou normalmente o apartamento e ao entrar notou que a luz do quarto dos filhos estava acesa. Em seguida, ele e a esposa notaram as gotas de sangue e a tela da janela cortada, ao se aproximarem, viram a menina caída no gramado em frente ao prédio. De acordo com o depoimento do pai, entre o momento de colocar a filha na cama e a volta ao apartamento teriam passado de 5 a 10 minutos.   Segundo a polícia, também havia marcas de sangue no quarto da criança, o que reforça a tese de que ela foi agredida antes de ser jogada pela janela de outro quarto. No domingo, a perícia feita pela Polícia Técnico-Científica confirmou que a rede de proteção da janela foi cortada propositalmente com objeto cortante.   O corpo da menina foi enterrado na manhã desta segunda-feira, 31, no Cemitério Parque dos Pinheiros, em Jaçanã. Segundo o 9º DP, ainda não há data para a reconstituição do crime. "Muitas pessoas ainda precisam ser ouvidas antes de qualquer reconstituição", informou a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública.

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