Bolão oficial começa e lotéricas cobram treino

Mudança foi para dar 'segurança' aos apostadores, segundo a Caixa; lojistas reclamam que ainda não sabem lidar com programa instalado nos micros

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h08

A Caixa Econômica Federal começou a receber ontem as apostas oficiais de bolão, mas lotéricos e apostadores pouco sabem sobre o assunto. O problema é que em muitas lotéricas a Caixa instalou o programa nos computadores, mas nem funcionários nem proprietários receberam treinamento.

Anteriormente, as apostas eram divididas e feitas pelas lotéricas. Por isso, não eram consideradas pela Caixa nem tinham valor legal pela Justiça. E só existiam recibos de apostas de maneira informal.

Quando um bolão era organizado pelos apostadores, alguém ficava responsável pela guarda do recibo e, no caso de premiação, os participantes deveriam ir até uma agência da Caixa para receberem seus prêmios juntos.

Agora, tanto os apostadores quanto os empresários lotéricos podem organizar bolões e serão emitidos tantos recibos de cotas quanto desejados, respeitando os limites de cada modalidade. No caso da Mega são, no máximo, cem; na Quina são 25; na Lotofácil até 25; na Loteca e na Dupla Sena, até 50 cotas.

De acordo com a Caixa, as vantagens da regulamentação são a formalização da aposta, a garantia de recebimento de prêmio por parte dos detentores dos recibos de cota - onde e quando desejarem - e a transparência de toda a operação.

As unidades lotéricas poderão cobrar uma tarifa de serviço de até 35% do valor da cota, que também estará impressa no recibo. A Caixa ainda informou que a mudança se deu para "oferecer segurança aos apostadores". Os grupos continuam podendo ser formados por amigos e familiares ou pela livre reunião de pessoas, como antes.

Loterias. Na prática, a venda dos bolões oficiais ainda não começou porque os apostadores pouco sabem sobre as novas regras e os lotéricos não utilizam o novo sistema que foi instalado nos computadores. "Eu vou perguntando para um, para outro, olho na internet, e vou tentando aprender", disse um lotérico que se identificou apenas como João. Funcionária de outra lotérica, Izilda Aparecida, de 49 anos, disse que o sistema já está nos computadores, mas "ainda não houve tempo de a Caixa vir treinar a gente".

A gerente de uma terceira lotérica, Rosane Sinigalli, de 53 anos, confirmou o que os outros lotéricos disseram, mas está otimista. "Acho que a procura pelo bolão tende a aumentar, porque agora quem vai controlar é a Caixa."

Confiança. O representante comercial, Hélio Montanha, de 54 anos, concorda. "Eu não participava de bolão, não, era muito duvidoso, não dava pra confiar. Agora, pelo menos cada um fica com seu recibo e retira sua fração. É mais provável que eu participe de bolão daqui para frente."

Mas há quem garanta que o segredo sempre foi ter uma lotérica de confiança, como o comerciante Gabriel Moraes, de 54 anos. "Assim como existem médicos e médicos, existem lotéricos e lotéricos. Tenho amigos que já ganharam e receberam normalmente."

Essa também é a opinião do aposentado Joel Maciel, de 65 anos, que joga quatro vezes por semana. "Participo do bolão dessa lotérica e às vezes jogo sozinho também. Sempre fiz aqui e nunca tive nenhum problema. Mas acredito que seja boa essa nova regra da Caixa. É mais uma opção para quem quer jogar."

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