Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Bloqueio de viaduto na Marginal faz trânsito piorar na JK e na Faria Lima

Trinta e oito de cem corredores analisados pela CET concentram mais congestionamentos após acidente; paulistano recorre a metrô, app e bicicleta

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Após a queda de um viaduto na Marginal do Pinheiros, zona oeste paulistana, as Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek foram as mais afetadas com a redistribuição de veículos. As duas vias dão acesso à região comercial do Itaim-Bibi. Outra rota em que houve aumento de veículos é a Avenida Washington Luís, ligação entre a zona sul e o centro.

Isso é o que mostra levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), feito a pedido do Estado. Das cem vias analisadas, 38 corredores viários agora concentram maiores proporções do congestionamento geral da cidade após o acidente, no último dia 15. Na Marginal do Pinheiros, ainda há 6,7 quilômetros de pista expressa interditados. 

A CET considera a participação de cada via na composição do trânsito. Quando a cidade registra 60 quilômetros de lentidão, o órgão toma esse total como 100%. O dado é quanto cada via representa, em porcentagem, em relação ao total. Os números correspondem à média diária de cada via, nas duas semanas antes do acidente (de 1 a 14 de novembro) e nas duas semanas depois (de 15 a 30).

A Avenida JK, por exemplo, respondia por 0,1% do índice geral de lentidão. Agora, concentra 0,9% das filas de veículos nas vias monitoradas - um aumento de 800%. Na Faria Lima, essa mesma variação é de 300% e na Washington Luís, de 141% - na continuação, a 23 de Maio teve acréscimo de 20,9%. No corredor formado pelas Avenidas Jabaquara, Vergueiro e Domingos de Morais, a participação delas no trânsito dobrou.

São números que o cidadão pode não conhecer, mas já vive na rotina - e atrás do volante. Nos escritórios da Faria Lima, por exemplo, sair mais tarde, recorrer ao metrô e pedalar se tornaram saídas para fugir do congestionamento. “De Barueri (Grande São Paulo) para cá, eu gastava menos de uma hora, mas já era um trânsito difícil. Na semana passada, teve um dia que eu gastei uma hora e meia para chegar em casa. Sinto que a gente fica mais tempo parados, sem se mexer. É diferente daquele trânsito que você anda devagarzinho”, diz o analista Fernando Moura, de 26 anos. 

O executivo Rubens Ajzenberg, de 39 anos, voltava para casa com carros de aplicativo. Nas últimas semanas, porém, passou a utilizar bicicletas compartilhadas. “O trânsito está muito acima do normal. Tive de ir até a Ponte do Morumbi pela manhã, e olha que é contrafluxo, e demorei muito”, conta.

“Olho o trânsito da janela e vejo a piora. Muita gente do escritório reclama. Tem um colega, que mora em Campinas (interior paulista) e vem para cá todos os dias. Ele mudou de horário porque não estava mais dando”, afirma a economista Stephany de Luca, de 31 anos. Ela, moradora da Vila Olímpia, zona sul, foge do trânsito de bicicleta, solução que já havia adotado antes do acidente. 

Além dos corredores maiores, vias de extensão menor, que nem estavam nos mapas de lentidão, como a Rua MMDC, Butantã, agora entraram no registro. A rua é o endereço da Estação Butantã do Metrô, da Linha 4-Amarela. 

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As pessoas, e os empregadores, têm de passar a considerar horários flexíveis para fugir dos congestionamentos
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Flamínio Fichmann, Engenheiro de Tráfego

O estudo revela ainda vias saturadas que, dado o tamanho do trânsito, deixaram de ser tão relevantes para o congestionamento total. Nesse caso entram as Pontes da Marginal do Pinheiros, como a Cidade Universitária e do Socorro, e mesmo a Marginal do Tietê. Antes do acidente, 19,7% do trânsito estavam concentrados na Marginal do Tietê. Agora, são 13,2%. 

O engenheiro de tráfego Flamínio Fichmann afirma que, diante do cenário, a melhor alternativa para o cidadão é buscar se informar sobre melhores horários para sair de casa. Para ele, a CET poderia até buscar modos de inversão de sentidos de vias, em alguns pontos, para desfazer gargalos. “Mas essas são medidas muito difíceis, e criam problemas.”

Obras 

Desde domingo, quando a Prefeitura terminou de erguer o viaduto, os técnicos estudam os danos na estrutura. Embora tenha encontrado o projeto original de construção, o material foi de pouca serventia porque havia diferenças entre os papéis e a obra executada, o que requer novos estudos. A solução para o viaduto só deve ser apresentada em mais uma semana. Ontem, a gestão Bruno Covas (PSDB) abriu cadastramento para empresas que querem se habilitar para vistoriar outros viadutos e pontes.

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