Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Blocos levam 200 mil pessoas para as ruas de São Paulo

Multidão causou congestionamento especialmente na zona oeste, nos bairros Pinheiros e Vila Madalena

Edgar Maciel, Fabiana Cambricoli e Marco Antônio Carvalho , O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2015 | 18h56

Atualizada às 20h11

O carnaval de São Paulo levou 200 mil pessoas às ruas neste sábado, 7, de acordo com levantamento da Prefeitura. No total, foram 74 blocos na programação. A região mais movimentada foi a zona oeste - só os bairros de Pinheiros e Vila Madalena tiveram desfiles de 17 blocos, com um total de 130 mil pessoas.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou diversas vias e, com a multidão nas ruas, houve registro de congestionamento atípico para o sábado. O pico registrado pela companhia foi de 15 km na zona oeste, por volta das 15h. No fim da tarde, uma forte pancada de chuva também complicou a circulação dos veículos. 

Ao som dos tradicionais batuqueiros e de sucessos da música brasileira, o bloco Bangalafumenga iniciou seu desfile na Avenida Paulo VI, em Pinheiros, zona oeste, às 12h20. Fundado no Rio em 1998, foi a quarta vez que o grupo se apresentou no carnaval de São Paulo. 

Horas mais tarde, o mesmo ponto recebeu o bloco Sargento Pimenta, com o repertório que o consagrou no Rio: canções dos Beatles em ritmo carnavalesco. Os foliões dançaram e cantaram sucessos como All My Loving, Ticket to Ride e Help. A chuva caiu e foi recebida com festa pelos paulistanos, que gritavam “Chove, chove, cai na Cantareira”, referindo-se ao reservatório que mais sofre com a estiagem que atinge São Paulo. Os organizadores estimam que os dois blocos tenham levado 80 mil pessoas para o bairro. 

Na região do Ibirapuera, na zona sul, a banda Gueri-Gueri promoveu um pré-carnaval VIP. A festa foi dividida em dois momentos: shows em um palco montado perto do Monumento às Bandeiras, com acesso restrito a portadores do abadá - ao preço de R$ 180 -, e percurso aberto do bloco seguindo trio elétrico. 

O Gueri-Gueri foi às ruas pela primeira vez em 1986 - quase três décadas fizeram dele um patrimônio da região dos Jardins. Após um intervalo de 10 anos, entre 2003 e 2013, o evento voltou a ocorrer no ano passado, dessa vez no Ibirapuera.

Os engenheiros Pedro Nocetti, de 31 anos, Augusto Yokoyama, de 34, e Ricardo Carvalinha, de 31, participaram da festa. Para eles, os blocos de pré-carnaval e de carnaval estão atraindo cada vez mais pessoas. “Foi uma coisa que pegou. Está virando tradição em São Paulo”, disse Nocetti. O grupo falou que pretende participar de outros eventos de rua, especialmente na Vila Madalena. O empresário Fábio Prado, de 41 anos, e a sua mulher, a estilista Eve Roamilhac, de 31, levaram o filho de 1 ano e três meses para a festa. “Já participei quando era nos Jardins. Agora nos chamaram novamente e é a nossa primeira vez no Ibirapuera”, disse Prado.

A Praça Roosevelt, na região central da cidade, também teve folia - nem a forte chuva, com registro de granizo, que caiu ali foi capaz de dispersar os carnavalescos. A praça foi ponto de encontro de diversos blocos de pré-carnaval que percorrem as ruas do centro e arrastam multidões. Com músicas para os mais diversos gostos e estilos.

Uma das concentrações mais animadas era a do bloco Ciga-nos, que está em sua segunda edição. Como o nome deixa a entender, o grupo conta com artistas vestidos como ciganos dançando ao som de músicas balcânicas. O trajeto do grupo era até o Vale do Anhangabaú.

Para um dos idealizadores do bloco, o artista Denny Azevedo, de 31 anos, a reação do público à diversidade musical tem sido boa. “Tocamos aqui marchinhas turcas, música balcânica e étnica. Em 2014, reunimos 3 mil pessoas. Somos mais uma opção”, disse Azevedo. A poucos metros dali, um trio elétrico cuja especialidade aparente era canções de Daniela Mercury embalava outros tantos.

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