ALEX SILVA/ESTADAO/18-05-2013
ALEX SILVA/ESTADAO/18-05-2013

Blocos forasteiros e novatos deverão ser taxados em SP e artistas já indicam desistência

Gestão Doria sustenta cobrança dizendo que há custos com limpeza e organização do trânsito; Daniela Mercury disse estar avaliando se manterá seu evento

O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2017 | 23h46

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo decidiu taxar blocos de pré-carnaval que queiram vir de fora da cidade para realizar festas e desfiles momescos aqui. De acordo com a administração, a decisão leva em consideração os custos  de manutenção, limpeza, segurança e ações de adequação de trânsito. O prefeito João Doria (PSDB) havia falado que o valor deverá ficar em cerca de R$ 240 mil, quantia que desagradou artistas que preparavam festejos na capital, como a baiana Daniela Mercury.

Ao Estado, a Secretaria de Cultura informou que deverão ser taxados os blocos forasteiros que atraíam um grande número de pessoas, na casa das milhares, e que nunca tenha desfilado anteriormente no carnaval de rua de São Paulo. A pasta não informou quantos grupos devem ser atingidos pela cobrança, nem se algum já realizou o pagamento. 

“Houve solicitações de blocos de outras regiões, principalmente da Bahia. Nesse sentido, são blocos que atraem 50, 60, 70 mil pessoas. Isso custa para a cidade manutenção, limpeza, segurança, movimentação das equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), tudo isso tem custo para a cidade”, disse Doria na terça-feira passada, de acordo com o relatado pela Agência Brasil.

“O que nós propusemos é que os blocos pudessem, na medida em que possuem todos eles patrocinadores robustos, contribuírem com as taxas da cidade”, disse o prefeito na mesma oportunidade. “É um valor razoável, não é pequeno, para que os blocos patrocinados possam desfilar na maior cidade do país. Se venderem abadás para 50, 60 mil já seria suficiente para pagar essas taxas.”

Artistas enfrentam resistência ao valor, como revelado nesta sexta-feira, 27, pela Folha de S. Paulo. Uma das atrações que podem ser afetadas é o bloco da rainha do axé, a baiana Daniela Mercury. Sem ter captado recursos com patrocinadores, a cantora já havia decidido bancar com recursos próprios o trio elétrico, “para agradecer a cidade pelo pré-carnaval do ano passado e para atender os milhares de fãs que fazem este pedido todos os dias nas redes sociais”, segundo sua assessoria informou ao Estado nesta sexta.

Com a nova taxa, porém, a equipe disse estar “avaliando se os planos seguirão adiante”. Outro que está encontrando dificuldades para finalizar o projeto de participar dos festejos de carnaval em São Paulo é Carlinhos Brown. A sua produtora informou à reportagem que está encontrando “empecilhos” para participar do evento. 

A Four X Entertainment disse ter cadastrado o bloco para desfilar em Pinheiros, inicialmente, “já que nenhuma informação referente à limitação de público no local (até 20 mil pessoas) havia sido passada pela prefeitura”. A empresa disse ter tido o pedido para desfilar na Avenida Rebouças declinado e que ainda aguarda a apresentação de sugestão de outro trajeto pela prefeitura regional de Pinheiros. 

“A menos de 25 dias para o Carnaval de São Paulo, a Four X Entertainment reforça que até o momento a prefeitura de São Paulo não divulgou data ou local para realização do evento, inviabilizando a sua execução”, declarou.  “A ausência de uma posição oficial da gestão municipal sobre o assunto impossibilita, por exemplo, o fechamento de patrocínios”, completou. A prefeitura não apresentou respostas aos questionamentos envolvendo a situação do bloco de Carlinhos Brown. 

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