Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Blocos 'maratonistas' fazem até quatro desfiles por carnaval em SP

Para atrair patrocínio ou celebrar a data, Ritaleena, Urubó e outros grupos realizam mais de uma apresentação por carnaval e criam até bloquinhos infantis

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - Em vez de concentrar os esforços de meses em um único dia, parte dos blocos de rua de São Paulo tem optado por realizar até quatro desfiles durante a programação oficial do carnaval. A “maratona” de apresentações também resulta em trajetos e propostas distintos, atraindo novos públicos, como o infantil.

A ampliação de desfiles acompanha o crescimento do carnaval, após ser oficializado pela Prefeitura, em 2014. Foi nessa época, por exemplo, que o Ritaleena foi fundado, estreando no ano seguinte na Rua dos Pinheiros, na zona oeste. “Quando começou (o bloco), a gente só desfilava no pré-carnaval. Até porque muita gente saía de São Paulo durante o carnaval”, explica a cantora Alessa, de 36 anos, cofundadora e diretora musical. 

Com repertório e adereços que homenageiam a cantora Rita Lee, o bloco passou a ter dois desfiles há três anos, divididos entre Pinheiros, no pré-carnaval, e um segundo bairro fora do circuito, como Aclimação, Ipiranga, Mooca e, neste ano, Santana. A iniciativa também ajuda a atrair patrocínio, por somar o público de dois desfiles. “Uma perspectiva para não virar gigantesco foi quebrar o desfile em dois”, diz Alessa. 

“Quando (o Ritaleena) começou, o carnaval de Pinheiros era bem de bairro, mais tranquilo, tinha menos gente. Como o carnaval estourou, virou um super desfile”, lembra a cantora. “A gente queria resgatar um pouco da tradição dos blocos de bairro e ser itinerante, passar pelos que não estão no ‘buxixo’ e espalhar a palavra de Rita Lee.”

O desfile de Pinheiros atrai até 30 mil foliões, enquanto o segundo tem aproximadamente a metade. Segundo Alessa, a primeira apresentação é a principal responsável por atrair patrocínio, por ter mais público, ser em uma região mais visada por marcas e de referência em carnaval de rua. “Nos bairros, o desfile é mais brincante. O de Pinheiros acaba sendo uma vitrine, também é muito gostoso de fazer, mas tem essa responsabilidade de pagar a conta.”

Alessa comenta que a itinerância do segundo desfile atrai a atenção de subprefeituras, que chegam a se oferecer para receber o bloco. “A gente tem um check-list, como mostrar cartões-postais, como o do Ipiranga, que saiu perto do Parque da Independência, e o da Mooca, que é a cara de São Paulo.”

Já o Jegue Elétrico SP vive situação diferente, embora tenha múltiplos desfiles desde a criação, há 20 anos. Com o crescimento do público (de até 10 mil pessoas), o custo está maior, o que diminuiu a programação de quatro para três desfiles, dois em Pinheiros e um na Praça da República, no centro. Uma apresentação que, durante os primeiros anos, tinha uma bicicleta sonorizada, agora requer um carro de som. 

“Começamos a fazer por falta de blocos, a estratégia era alimentar o carnaval. São Paulo não tinha como era no Rio, em Recife”, conta o músico Emerson Boy, de 60 anos, criador da agremiação, de marchinhas autorais. Ele garante que a maratona vale a pena. “Cresci com o carnaval. É um cansaço agradável, um prazer grande, e cada desfile é diferente.”

 

Blocos criam desfiles infantis para atender aos novos foliões

Há também blocos que ampliaram os desfiles para atender um outro público, o infantil. A Charanga do França estreou, por exemplo, a Charanguinha do França no ano passado, assim como o Saia de Chita tem o Sainha de Chita desde 2017. 

Já o Urubó, da Freguesia do Ó, na zona norte, realiza duas apresentações para o público em geral e, desde 2014, mais duas pelo Urubózinho. “A ideia (inicial) era oferecer para os filhos dos foliões, como um entretenimento que resgatava as matinês, como as do Juventus e do Clube Esperia, mas em lugar aberto e gratuitas”, diz Rodrigo Carvalho, de 38 anos, jornalista e um dos organizadores.

“É a mesma estrutura, carro de som, músicos, mas é mais intimista. Não tem tanta concentração de público. Inclui também algumas músicas de desenhos infantis, da Galinha Pintadinha, dos Backyardigans”, explica Carvalho.

Confira a programação dos blocos 'maratonistas' do carnaval de São Paulo:

Charanga do França:

Dia 24, às 9h, com saída da Rua Imaculada Conceição, 151, na Santa Cecília.


Charanguinha do França:

Dia 29, às 9h, na Rua Major Sertório, na Vila Buarque.


Bloco Afro Ilú Obá De Min:

Dia 21, às 17h, com saída da Praça da República, e 23, às 14h, na Alameda Barão de Piracicaba, 610, no Campos Elísios.


Jegue Elétrico SP:

Dia 22, às 15h, e 23, às 14h, na Rua Lisboa, em Pinheiros. Dia 24, às 15h, na Praça da República.


Ritaleena:

Dia 23, às 11h, com saída da Av. Dumond Vilares, 1.601, Santana.


Urubó:

Dias 22 e 23, com saída às 11h, do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, na Freguesia do Ó.


Urubózinho:

Dia 22, às 9h, com saída do Largo da Matriz, na Freguesia do Ó.

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