Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Blocos de rua cobram segurança; desfiles são alterados

Entidade relata arrastões em carta; desfile na Cracolândia é suspenso e grupo infantil teve de mudar data de saída

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - O carnaval de rua de São Paulo chega ao segundo fim de semana em meio a críticas sobre segurança, conflitos com vizinhos e alterações em desfiles. Mais de 300 cortejos estão previstos para os próximos quatro dias.

Em carta, o Fórum Aberto de Blocos de SP, que representa 280 agremiações, manifestou “profunda preocupação” com a segurança. No texto, a entidade cita “inúmeros” casos de arrastão, furtos, roubos e violência no pré-carnaval. Em resposta, a gestão municipal disse que aumentaria o número de drones de 4 para 10, enquanto a Polícia Militar disse estar utilizando “força máxima”, com um agente de segurança (incluindo Guarda Civil e demais polícias) para cada 149 foliões. Também alegou que seria “obrigação” dos blocos de carnaval contratar segurança privada, o que o Fórum refuta. 

Para José Cury, um dos coordenadores da entidade, falta espaço de participação para os blocos na organização do carnaval, centralizada na Secretaria Municipal de Cultura. “A gente sabe que a PM se esforça e tem limitações, e está disposta a dialogar. Mas não se concorda com a qualidade do diálogo que a Cultura desenvolveu, faltou um pouco de articulação.”

Segundo Cury, a maior parte das reclamações se refere a desfiles na região central. A radialista Rayssa Kirinus, de 30 anos, por exemplo, teve o celular furtado nas imediações do Teatro Municipal, no sábado passado, mas conseguiu reaver o aparelho com ajuda de foliões, que imobilizaram o autor. “Não estava isolada no meio do nada. Tinha bastante gente e eu estava perto da banda. O cenário estava bonito: com o Municipal de noite, tirei o celular para fazer foto e vídeo, nisso veio uma mão atrás de mim e pegou o celular”, conta. “Nesse mesmo dia, fui em um bloco na Lapa e, apesar de muita gente, era outro cenário, não tinha essa sensação de insegurança.”

Cracolândia

Outra decisão da Prefeitura criticada foi o cancelamento do Blocolândia no dia do desfile, nesta sexta-feira, 21, em uma portaria que alegava “determinação da Polícia Militar”, embora a corporação diga que “sugeriu” a suspensão “em razão do risco que a aglomeração de foliões pode levar às pessoas em situação de vulnerabilidade”. 

O cortejo ocorria há cinco anos na Cracolândia e, segundo a organização, nunca teve furtos e roubos. Mesmo sem autorização, o desfile ocorreu. 

Vizinhos

Após o cancelamento dos desfiles nas imediações da Ceagesp, na Vila Leopoldina, e da restrição de acesso no Largo da Batata, oficializados há um mês, o carnaval de rua ainda vive conflitos com vizinhos. O caso mais recente envolve uma ação judicial movida por uma associação do entorno da Praça Horácio Sabino, em Pinheiros, contra o Berço Elétrico.

Voltado a crianças de até 6 anos, o bloco teve o desfile transferido deste sábado para o domingo, após quase ser cancelado. “Prejudicou um pouco a gente, com relação à produção. Muitos fornecedores não conseguiram atender em outra data. A gente teve de conciliar os fornecedores, os cronogramas. Teve um transtorno, mas a gente vai colocar o bloco para acontecer”, relata Diogo Rios, de 36 anos, um dos organizadores do Berço Elétrico.

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