Blocos de carnaval de rua já marcham por São Paulo

Prontos para enfrentar até fortes chuvas, tradicionais grupos ocupam as vias hoje e dão início à folia na capital

Ana Bizzotto - O Estado de S. Paulo,

05 Fevereiro 2010 | 07h56

 

 SÃO PAULO - Em nome da tradição de pular o bom e velho carnaval de rua, cerca de 30 bandas, blocos e cordões paulistanos desfilam de graça a partir de hoje em vários bairros da capital. Há ritmos para todos os gostos. Marchinha, samba, axé, afro e até hits de Michael Jackson terão espaço no repertório. Ainda que São Pedro não colabore, os grupos esperam reunir, em média, 5 mil pessoas nas festas.

Festa não se resume ao centro: cordão Kolombo Diá Piratininga reúne 2 mil na Vila Madalena.

 

A Bantantã abre hoje a semana de desfiles. Criada por professores, alunos e funcionários da USP em 1979, a banda é definida por um de seus fundadores, o professor Rigomar Barbosa, como "uma reminiscência cultural da antiga boemia da Valdemar Ferreira", avenida em frente à universidade. "Sairemos "arrastando feito cobra pelo chão", na dança dos velhos carnavais", garante Barbosa.

Na segunda-feira, o centro recebe pelo 36º ano a Banda Redonda, que fará o tradicional percurso a partir da Rua Theodoro Baima com Rua da Consolação, passando pela Rua Xavier de Toledo e Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal. Fundada por Carlos Costa, o Carlão, e pelo dramaturgo Plínio Marcos, a Redonda faz questão de tocar apenas sambas e marchinhas. "Quando a banda passa, o pessoal extravasa o ano inteiro de estresse", diz Carlão.

Para homenagear o centenário do Corinthians, a Banda do Candinho percorrerá as ruas do Bexiga na quarta-feira, com o tema 100 Mulatas do Timão. "Existe uma relação com o time desde a época de fundação da banda", relata Candinho Neto, referindo-se a uma apresentação em 1981, quando a banda tocou para 100 mil pessoas no Morumbi antes de uma partida entre Corinthians e Santos.

"A tradição do carnaval de rua se perdeu quase por completo. Daí a importância de manter as bandas e blocos que sobreviveram", diz Candinho, que também preside a Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo (Abasp).

Mesmo sem a experiência de quem toca e desfila pela cidade há décadas, grupos como o cordão Kolombolo Diá Piratininga também buscam resgatar o carnaval de rua. Fundado em 2002, o grupo já demonstra sucesso no intuito. Além de desfilar na Vila Madalena com cerca de 2 mil pessoas, o cordão idealizou a coleção Memória do Samba Paulista, com 12 CDs. No domingo, o grupo homenageia os 100 anos de Adoniran Barbosa.

Sob a bênção dos orixás, as 70 mulheres que compõem a bateria do Ilú Obá de Min desfilam na próxima sexta, no centro. A banda, criada há seis anos, resgata ritmos afro-brasileiros com viés contemporâneo e composições próprias. A coreografia é feita por 12 bailarinos em pernas de pau e 30 no solo.

Quem busca um arrastão mais eclético pode se juntar ao Bloco da Ressaca, que sai pelas ruas do Cambuci amanhã. O grupo reúne mais de 5 mil foliões, com direito a axé, samba e marchinha. Neste ano, eles homenageiam o cambuci, fruto que dá nome ao bairro do bloco.

 

DIVERSIDADE

Outra opção, voltada para o público GLS, é a Banda do Fuxico, que promete agitar o Largo do Arouche no domingo. A partir das 10 horas, as picapes vão tocar de marchinhas a música eletrônica. No palco, shows de drags se revezam com concursos de melhor fantasia para adultos, crianças e cachorros, além de competição de "bate cabelo" (dança frenética, mexendo muito a cabeça). "Quem bate o cabelo com mais performance ganha", diz o fundador do bloco, Roberto Mafra. A banda desfila às 18 horas.

Há também quem aposte na irreverência. Ao som de Billie Jean, o Cordão Carnavalesco Confraria do Pasmado dará início ao desfile em homenagem a Michael Jackson na Vila Madalena. "Vamos tentar fazer um "moonwalker" coletivo puxado pela bateria", conta Gustavo Melo, que criou o grupo com amigos em 2003. Em 2009, o homenageado foi Plutão, rebaixado do "cargo" de planeta.

O estreante Acadêmicos do Baixo Augusta, criado pelos proprietários dos bares Sonique e Studio SP, surgiu da ideia de celebrar a diversidade e revitalização cultural da região. Os músicos Simoninha, Max de Castro e Jairzinho serão os puxadores do bloco que tocará marchinhas e o hino. "Queremos oficializar o bloco e envolver o maior número possível de proprietários e frequentadores de estabelecimentos da área", almeja o empresário Alexandre Youssef, dono do Studio SP.

  

PROGRAMAÇÃO

HOJE

Banda Bantantã:

concentração às 16h na Av. Valdemar Ferreira com Rua Des. Armando Fairbanks, Butantã. Desfile às 21h

AMANHÃ

Pholia (10 desfiles):

 início às 13h30, na Praça da Luz

Bloco da Ressaca:

Concentração às 14h, no Largo do Cambuci. Desfile às 16h30

Cordão Carnavalesco Confraria do Pasmado:

concentração às 14h, Praça Rafael Sapienza com Rua Rodésia, Vila Madalena

Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta:

concentração às 14h, na Rua Bela Cintra, 461, Consolação. Desfile às 16h

 

DOMINGO

Kolombolo Diá Piratininga:

concentração às 15h, na Rua Belmiro Braga, 164, Vila Madalena. Desfile às 17h

Pholia (8 desfiles):

Das 15h às 20h30, na Praça da Luz Segunda-feira

Banda Redonda: concentração às 19h, na Rua Teodoro Baima com Rua da Consolação e Avenida Ipiranga, centro. Desfile às 21h

QUARTA-FEIRA

Banda do Candinho:

concentração às 17h, na Rua Santo Antônio com Rua 13 de Maio, Bela Vista. Desfile às 21h

SEXTA-FEIRA (DIA 12)

Ilú Obá De Min:

concentração às 19h30, na Rua Major Quedinho com Avenida São Luís, no centro. Desfile às 20h30

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