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Bloco Tarado Ni Você homenageia Caetano na Ipiranga com a São João

Mais de cinco mil foliões acompanham o desfile do bloco, que foi para a rua graças ao financiamento coletivo

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 17h23

SÃO PAULO - Se  Caetano Veloso cruzasse as Avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, na tarde deste sábado, 14, veria muitas coisas acontecendo nos corações dos foliões que foram pular carnaval no bloco Tarado ni Você, inspirado nas músicas do cantor baiano. 

Quem chegou em São Paulo no meio da folia certamente não viu "a dura poesia das tuas esquinas" e nem "chamou de mau gosto o que viu", como entoava Caetano em sua música "Sampa". O carnaval do bloco Tarado Ni Você estava mais para "Alegria, Alegria", sem "nada no bolso ou nas mãos", mas com mais de cinco mil sorrisos em rostos de toda a parte do Brasil. 

Miguel Santos, de 25 anos, é baiano como Caetano, mas trocou a folia de Salvador pelas marchinhas dos blocos de São Paulo. De férias,surpreendeu-se com a multidão nas ruas da capital paulista. "Esse ano quis curtir um carnaval diferente, fora dos trios elétricos de Salvador. Esse foi meu primeiro bloco aqui e nada melhor do que começar com Caetano e o melhor da música brasileira", afirmou.

O bloco é organizado pelo fotógrafo Thiago Borba, o artista Rodrigo Guima e a empresária Raphaella Barcalla. Toda a estrutura para colocar o carnaval na rua foi financiada coletivamente, por meio de uma plataforma crowdfunding - foram arrecadados mais de R$ 17 mil. 

"Tem uma vontade enorme crescendo nas pessoas de ocupar os espaços públicos com suas vozes, corpos e corações. O bloco está surgindo desse movimento. Espero que continue crescendo ao longo dos próximos anos", disse Rodrigo Guima.

No bloco elétrico, decorado no bom estigma brasileiro das bananas e das palmeiras, a banda começou cantando um dos maiores sucessos de Caetano: "Milagres do Povo". A música, inspirada em uma conversa sobre religião com Jorge Amado, levantou o público. "Quem é ateu e viu milagres como eu/ Sabe que os deuses sem Deus/ Não cessam de brotar, nem cansam de esperar", diz os primeiros versos.

Logo na sequência, o público foi presenteado com clássicos carnavalescos como É hoje o Dia, Alegria Alegria, Chuva Suor e Cerveja e Chiquita Bacana. "É como ser abençoado por todos os grandes cantores brasileiros antes de o ano começar. O ano só começa mesmo depois do carnaval", brincou Carolina Marvin, de 32 anos, moradora do centro de São Paulo.

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