Vinicius Passarelli / Estadão
Vinicius Passarelli / Estadão

Bloco Esfarrapado celebra a tradição e as marchinhas de carnaval

Criado há 72 anos, o bloco é o mais antigo de São Paulo e símbolo da história do samba paulistano

Vinicius Passarelli, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 12h33

SÃO PAULO - Como programado, o bloco ficou concentrado na rua Conselheiro Carrão até por volta das 14h, quando começou o cortejo com os dois trios elétricos entoando as mais conhecidas marchinhas.

Depois, o trajeto seguiu para a rua Almirante Marquês de Leão, rua Uma, rua Rocha, passou pela Praça 14 Bis, seguiu pelas ruas Manoel Dutra, Maria José, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, Major Diogo, Santo Antônio e, por fim, retornou à Treze de Maio, onde o cortejo foi encerrado perto das 18h.

Além das famosas marchinhas, o trio também agitou o público - bastante diversificado, com jovens, idosos e muitas famílias com crianças - com clássicos do axé, músicas de artistas como Ivete Sangalo, Banda Eva e Daniela Mercury. Nem o funk de Anitta ficou de fora, mostrando também o poder do Esfarrapado de se manter conectado com o público jovem. O samba, como não podia deixar de ser, também não faltou, com a apresentação da bateria 013 da Bela Vista encerrando o bloco.

Também houve espaço para protestos políticos entre o público presente. Placas e fantasias traziam mensagens contra o assédio, o machismo e a Reforma da Previdência, apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro ao Congresso no mês passado.

Problema recorrente neste carnaval de rua de São Paulo, muitos foliões reclamaram da ausência de banheiros químicos no trajeto. As pessoas tinham que recorrer aos banheiros dos bares no entorno, que formavam longas filas.

De acordo com o anunciado pelos organizadores, 60 mil pessoas estavam presentes na 72° edição do bloco Esfarrapado. Não houve registro de confusão ou incidentes, segundo organização.

Bloco comemora 72 anos

"Quem viu vai ver de novo, o Esfarrapado encantando o povo. São 72 anos de folia pelas ruas do Bixiga compartilhando alegria."

É com esse refrão que o bloco Esfarrapado, no bairro do Bixiga, no Centro de São Paulo, comemora seus 72 anos de existência. É o bloco mais antigo da cidade.

Criado por seis amigos numa segunda-feira de carnaval em 1947, o bloco é o símbolo da folia de rua do principal reduto do samba paulista. E, desde então, o Esfarrapado - uma alusão ao modo como os foliões se vestem para o cortejo, vem com fantasias regadas de criatividade e improviso.

Aos 83 anos e esbanjando saúde e simpatia, Milton Credidio, o Tinin, é um dos fundadores e presidente de honra do bloco. "Quem manda no Esfarrapado é a comunidade, sem a comunidade não adianta nada", diz o folião, que por muito tempo se encarregou de enfeitar as ruas do Bixiga e angariar apoio para o bloco.

O que começou com seis amigos, hoje é um dos principais eventos do carnaval paulistano, símbolo da história e da memória do carnaval de São Paulo. "Nosso tema é a tradição dos blocos de rua, que deram origem às escolas de samba", afirmou Maurízio Bianchi, o Maurizinho, atual presidente do bloco.

"O Esfarrapado faz parte da iconografia da cidade, aqui é o movimento é espontâneo da nossa comunidade", orgulha-se Ronaldo Ferrara, de 63 anos, morador do Bixiga e frequentador do bloco há mais de 50 anos. "Para quem era o túmulo do samba, São Paulo hoje consegue fazer um belíssimo carnaval."

Sua mulher, Tânia Mara, de 53 anos, e sua cunhada Viviani Valentoni, de 66 anos, vieram de fora para prestigiar o Esfarrapado. Viviani é de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, e Tânia, de Salvador. "Troquei o carnaval da Bahia pelo Bixiga e estou adorando", afirma a baiana.

O casal Zandra Dieb e Marcos Guimarães é de Brasília e faz parte de um bloco carnavelsco na capital federal. Há cinco meses em São Paulo, os foliões escolheram o bloco para estrear na folia paulistana justamente pela história. "Escomhemos o Esfarrapado porque gostamos dos blocos tradicionais e das marchinhas de carnaval."

 

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