Marco Antônio Carvalho / Estadão
Marco Antônio Carvalho / Estadão

Bloco de Carnaval na Berrini tem cinco baleados em tentativa de assalto

Organização e clima de segurança foram interrompidos por ato violento na zona sul

Marco Antônio Carvalho e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2020 | 21h27

Um policial civil reagiu a uma tentativa de assalto na Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo, na tarde deste domingo, 16. O caso ocorreu em meio a blocos de pré-carnaval e cinco pessoas foram baleadas e socorridas a hospitais localizados na região.

A polícia não esclareceu se as pessoas baleadas eram as suspeitas de cometer o crime ou foliões que participavam do bloco. Não foi esclarecido também se houve troca de tiros e se o agente participava da festa ou estava de passagem.

A Guarda Civil Metropolitana foi acionada para prestar apoio no socorro aos baleados. “A equipe foi solicitada por populares informando que havia pessoas baleadas. Pela impossibilidade de rápido acesso do Samu em virtude da quantidade de pessoas, foi efetuada a imediata remoção”, disse o inspetor Padilha, da GCM.

A ocorrência foi apresentada no 27º Distrito Policial (Campo Belo), onde as circunstâncias do caso deverão ser apuradas. Equipes do Garra, tropa especializada da Polícia Civil, acompanharam o depoimento na delegacia do agente envolvido.

A grave ocorrência foi o ponto negativo do que vinha sendo um fim de semana tranquilo, o primeiro do carnaval de rua da cidade em 2020. Até então,  foliões afirmaram que a estrutura montada para o evento pela Prefeitura estava organizada e que se sentiram seguros durante os desfiles realizados na região central e do Ibirapuera.

A reportagem não presenciou episódios de roubo nem brigas. A presença de vendedores credenciados, algo que já ocorria nas edições anteriores, foi um dos pontos mais elogiados – não só pela grande oferta de bebidas, mas pelo fato de o preço ser tabelado.

“Quando não é assim, quanto mais perto do trio, mais cara fica a bebida”, explica a advogada Anna Carolina Canestraro, de 27 anos, que acompanhou o desfile do Monobloco ontem no Ibirapuera, na zona sul. Fã de carnaval, ela convenceu o namorado, que se recupera de um acidente de trânsito a curtir o bloco. Usando um colar cervical, o engenheiro Thomas Meireles, de 27 anos, não se arrependeu.

“Capotei o carro no ano novo. Fraturei uma vértebra e levei 22 pontos na cabeça. Eu não tive escolha, vim arrastado. Minha namorada adora carnaval, mas está bem legal. Bem organizado e com revista na entrada.” Anna Carolina achou que o local estaria mais cheio e também gostou da forma como a festa foi organizada. “Aqui é mais familiar também.”

Por se sentir segura, a empresária Cristina Canoilas, de 50 anos, levou o cachorro Gregório para acompanhar o bloco. “Está organizado e tem muito policiamento. É a primeira vez que vim aqui e trouxe até o meu cachorro”, afirmou. O animal estava fantasiado. “Ele estava com uma tiara de unicórnio, mas perdeu.”

Na Rua da Consolação, o Acadêmicos do Baixo Augusta arrastou uma multidão que se manteve dançando e cantando até quando uma forte chuva atingiu a concentração do bloco. Neste ano, o tema foi ‘Viva a Resistência’. “O tema é a favor da democracia e da liberdade de expressão”, disse o presidente do bloco Ale Natacci.

O promotor de merchandising Eder Henrique dos Santos, de 37 anos, saiu de Mogi das Cruzes com um grupo de amigos e chegou ao ponto de concentração às 12h30. O grupo escolheu o arco-íris como tema da fantasia. “Trabalho em uma loja de fantasias e viemos representar a causa (LGBT)”, explica o gerente de loja Emerson Luís Souza, de 33 anos.

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