Bloco da ponte aérea invade a folia do Rio

Amigos se organizam pelo terceiro ano consecutivo para brincar nas ruas cariocas

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2011 | 00h00

Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco da ponte aérea Rio-São Paulo vai invadir o carnaval de rua carioca. Batizada de Me Abraça e Dorme, a caravana de paulistas - cujo uniforme é uma camisa estampada com a figura de uma ovelhinha - vai brincar nos blocos mais badalados da zona sul carioca. "Como costumamos dizer, somos um bloco parasita. Saímos em outros, pois não temos banda", brinca um dos fundadores do grupo, o publicitário carioca radicado em São Paulo, Eduardo Viola, de 29 anos. Isso sem contar os paulistas que vão desfilar nas escolas do Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí.

A ideia do Me Abraça surgiu em uma mesa de bar com seis amigos publicitários em um fim de tarde regado a chopes. No primeiro carnaval, 75 pessoas desembarcaram no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, e seguiram direto para a maratona de blocos. "Brincamos no Cordão do Boitatá. Saindo de lá, fomos para o Bangalafumenga, no Jardim Botânico. O agito foi tão grande que resolvemos oficializar que desfilaríamos, sempre aos domingos, dentro do Banga", recorda Viola.

No ano seguinte, o número de integrantes do "bloco parasita" cresceu e 150 "ovelhinhas" chegaram aos blocos do Rio. Como resultado, eles já são reconhecidos pelos cariocas. "Neste ano, num show do Bangalafumenga em São Paulo, abordamos os integrantes da banda. Para nossa surpresa, um deles vira e diz "vocês são os caras da ovelhinha?". Vamos até mandar as camisetas para eles", diz.

Neste ano, a participação nos blocos começa com o Azeitona sem Caroço, na sexta-feira, e termina só na Quarta-feira de Cinzas, no Me Beija que Eu Sou Cineasta, o bloco da turma do cinema, no Baixo Gávea.

Além da farra, a opção pelo bloco traz vantagens na segurança para os foliões. "Além da bagunça, a gente monta uma programação com todos os outros blocos que achamos legais e nos quais pretendemos sair naquele ano. Fornecemos dicas de como se locomover na cidade e dos cuidados que devemos tomar. Somos quase a secretaria do carnaval carioca", brinca Viola. As dicas para o carnaval 2010 valem para a festa deste ano. Entre elas, estão: "o Rio tá um calor infernal, então maneire na fantasia, use roupas leves" ou "não faça xixi na rua! Você pode ser preso!"

A publicitária Liliam Braga, de 29 anos, é uma das integrantes do bloco. Depois de quatro anos atrás dos trios elétricos em Salvador, ela se converteu ao carnaval carioca. "No Rio é menos segregado. Não tem abadá ou cordas para nos separar das outras pessoas, e ficamos entre amigos. Em Salvador, você compra o abadá ou tem de conhecer alguém que te convide para o bloco."

Escolas. Há ainda um grupo de paulistas que vai participar de um desfile especial na Sapucaí. Eles vão sair na Grande Rio, a agremiação mais atingida pelo incêndio na Cidade do Samba, no início do mês. As fantasias deles não foram destruídas, pois as das alas comerciais - para os foliões que pagam entre R$ 550 e R$ 650 para desfilar - são feitas em ateliês particulares. "Vamos participar de um momento de superação", diz o publicitário Geraldo Gonçalves, de 34 anos.

Depois de cinco anos como espectador, Alan Felipe Fonseca, de 30 anos, morador de Bragança Paulista, escolheu a Grande Rio para a estreia, mas não lamenta a opção. "Quando vi pela TV, disse que nosso carnaval tinha acabado. No entanto, o presidente da ala nos tranquilizou. Acho que tem um espírito de equipe no ar e vamos superar tudo na avenida."

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