Blitz flagra 34 carros sem equipamento em SP, mas não multa

Por enquanto, PMs só orientam motoristas. Já os marronzinhos estão tendo dificuldades para saber idade das crianças

Ana Bizzotto, Nataly Costa e Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2010 | 00h00

O Comando de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar de São Paulo (CPTran) fez ontem um bloqueio educativo em 12 pontos da capital, nas proximidades de escolas, para orientar motoristas quanto ao uso da cadeirinha - a PM só começa a multar no dia 6. Dos 199 carros parados, 34 estavam sem equipamento adequado. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já começou a atuar os infratores, mas não divulgou balanço ontem.

"Achei alta a quantidade de veículos sem cadeirinha. Esperava um número menor, pela divulgação que o assunto teve", disse o capitão e chefe da divisão operacional do CPTran, Paulo Sérgio de Oliveira. A PM deve realizar as blitze por duas semanas, de segunda a sexta-feira.

No bloqueio da Rua Domingos de Moraes, na zona sul, um dos casos irregulares foi o da operadora de telemarketing Missilene de Passos, de 30 anos. Ela levava o filho de 1 ano e 4 meses no colo, no banco de trás, ao lado da cadeirinha vazia, enquanto sua mãe dirigia. "Esqueci que começava hoje (a fiscalização). Ele tinha acabado de mamar e adormeceu no meu colo", justificou. "Ele detesta a cadeirinha e sempre quer dormir no colo. Sei que a norma é importante, mas tenho dó, sabe como é mãe, né?"

O cozinheiro Givanildo Soares, de 31 anos, levava a filha de 5 no banco de trás sem cadeirinha e sem cinto. Ele não sabia nem qual modelo deveria adquirir. "Agora não vou ter condições de comprar, outra hora vou ver isso. Enquanto isso, vou evitar andar com ela no carro."

Insegurança. No primeiro dia de fiscalização, os agentes da CET encontraram dificuldades para aplicar as multas. A insegurança maior, segundo os marronzinhos, era determinar a idade da criança transportada. "Às vezes, uma criança de 7 anos tem o mesmo tamanho de uma de 10", disse um deles.

"O problema é que são vários tipos de cadeirinhas e faixas de idade. Só dá para autuar com certeza se o veículo estiver parado", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Viário de São Paulo (Sindviários), Alfredo Coletti. "É a mesma dificuldade que temos com o cinto de segurança."

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