Blitz da PM fecha dez madeireiras no Estado

Operação em 28 estabelecimentos detectou fraudes e venda de madeiras proibidas

Edison Veiga, Rene Moreira e Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2013 | 02h02

A Polícia Militar Ambiental realizou ontem uma blitz em 28 madeireiras do Estado para apurar fraudes no comércio do produto. Foram analisados os tipos de madeira - por meio de perícias feitas pelo Instituto Florestal - e as documentações. A operação, em parceria com o Ibama e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, deve ser concluída até o fim da semana.

Balanço parcial obtido pelo Estado na noite de ontem aponta um resultado de R$ 760 mil em multas e 10 pátios madeireiros bloqueados por irregularidades. Foram encontradas madeiras de comercialização proibida em três empresas.

"Os pontos averiguados foram pré-selecionados após pesquisa realizada no sistema do Ibama. São endereços onde notamos indícios de irregularidades", explica o chefe de operações da Polícia Militar Ambiental paulista, capitão Marcelo Robis Nassaro. Ontem, ele coordenou 125 homens espalhados pelo Estado durante a blitz.

Em São Paulo, uma das madeireiras averiguadas fica na Freguesia do Ó. A empresa, que existe há dois anos, jamais movimentou o sistema do Ibama - necessário para controlar a legalidade dos produtos comercializados. No depósito, foram encontradas pranchas de peroba-rosa - de extração e comercialização proibidas - e abiuranas rotuladas como maçarandubas. "Neste caso, o consumidor final acaba levando gato por lebre", explica um dos técnicos do Instituto Florestal que acompanharam a operação, o biólogo Richard Soares.

A empresa será multada e terá o registro bloqueado no Ibama até que regularize a situação. "Vamos nos defender. Já estamos providenciando um advogado", diz o gestor ambiental da firma, Paulo Marques.

Interior. Das três madeireiras fiscalizadas ontem na região de Campinas, nenhuma estava em funcionamento. Ao todo, 20 policiais foram destacados para a operação. A maior madeireira fica em Hortolândia, e funcionaria em um barracão. Os policiais encontraram no local o prédio fechado e sem sinal de movimentação recente. A informação de vizinhos é de que há mais de um ano a madeireira fechou. Consta para a Polícia Ambiental o movimento de 415 tipos de madeira pela empresa. Em Mogi-Guaçu e em Campinas, os locais também estavam fechados e não foi encontrada madeira nos pátios.

O capitão da 4.ª Companhia da PM Ambiental, Fábio Luís Poletti, afirmou que esse tipo de foco de atividade na região é novo, mas crescente. "Foi constatado que 20% da madeira retirada vem para o Estado. As atividades desse tipo estão aumentando por aqui", disse.

Há casos de locais nos quais nunca houve manejo de madeira, embora constem como pátios, explica o capitão Nassaro. "O que pode estar acontecendo é que hackers estão comprando e vendendo madeira em nome das pessoas sem que elas saibam, demonstrando alguma fragilidade do sistema."

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