Blindados destruíram carros durante invasão

Veículos também teriam danificado parte das casas e arrastado poste, o que causou falta de luz em uma das favelas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

RIO

Veículos abandonados ou danificados durante a operação, sobretudo pelos blindados da Marinha e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), também incomodam os moradores. Na Rua Central, um Renault Symbol novo com placa de Nova Iguaçu foi arrastado por um blindado da Marinha. O carro, destruído, obstruiu a entrada de várias casas. De acordo com o morador Carlos Henrique, o carro foi deixado por traficantes para impedir a entrada da polícia.

Já a dona de casa Neusa Faustino da Silva, de 54 anos, teve a porta da casa destruída pelo choque de um carro empurrado por um blindado da Polícia Militar. O impacto causou trincas na parede e rachou um cano. "Passei a noite assustada, com a porta aberta, e estou sem água." Segundo ela, o dono do carro, um morador do bairro, ficou sem gasolina e deixou o veículo na entrada da Travessa São José. "O caveirão virou com tudo e pegou o carro em cheio, jogando contra a minha casa." Além dos danos na residência, o automóvel teve perda total. "O dono está desesperado, ele foi até a cidade atrás de ajuda", disse Neusa.

Falta de luz. Toda a região da Fazendinha estava sem energia elétrica e água. Alguns moradores atribuíam o problema a um poste atingido por um blindado numa travessa da Rua Antônio Austregésilo. A passagem havia sido bloqueada com uma barreira de concreto pelos traficantes.

O delegado Márcio Mendonça, titular da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) do Rio de Janeiro, disse que as reclamações são pontuais. Segundo ele, as pessoas que se sentirem constrangidas pela ação da polícia devem procurar as delegacias para registrar a ocorrência, fornecendo as características dos policiais para que possam ser identificados.

"O poder de polícia às vezes restringe alguns direitos dos cidadãos, mas deve ser exercido dentro da legalidade." Segundo ele, a orientação dada aos policiais é para que peçam autorização para fazer a revista na casa, pois não têm mandado judicial. "As pessoas que não têm o que esconder sempre deixam entrar. Elas não são obrigadas a isso, mas as pessoas de bem estão do lado da polícia", ressaltou.

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