Biólogo executado denunciava crimes ambientais no Rio

Ambientalistas que atuam no Parque Estadual Cunhambebe, no sul fluminense, consideram que o assassinato do biólogo espanhol Gonzalo Alonso Hernandéz, nas imediações da reserva, seja um caso de morte anunciada. Hernández, que tinha 49 anos e estava havia pelo menos uma década ali, vinha se indispondo com pessoas que praticavam crimes ambientais.

Roberta Pennafort / Rio, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h08

O corpo foi encontrado boiando perto de uma cachoeira, no distrito de Lídice, em Rio Claro, anteontem de manhã. Na cabeça havia marcas de tiro. Maria de Lurdes Pena Campos, de 48 anos, mulher do biólogo, que trabalha no Rio e só passava os fins de semana em Lídice, disse à polícia que o marido brigava frequentemente com caçadores e palmiteiros clandestinos.

Mariana Vilar, do Instituto Terra de Preservação Ambiental, instituição que trabalha na área, contou que Hernandéz não tinha medo. "Existe uma insatisfação da comunidade pela forma como o Gonzalo defendia os ideais dele. Fazia fiscalização, mas não tinha poder de polícia", disse Mariana.

Um amigo de Hernandéz que também é militante foi categórico: "Foi uma tragédia anunciada", disse o ativista. "Ele tentava convencer as pessoas na base da conversa, mas às vezes tirava fotos dos crimes ambientais."

Hernandéz, segundo ambientalistas, não recebera ameaças diretas, mas tinha desafetos. Ele protegia a nascente e fazia o monitoramento da vazão do Rio das Pedras, um dos afluentes do Piraí, que integra o sistema de abastecimento do Rio.

Uma câmera usada para o acompanhamento hidrológico, posicionada no caminho que o assassino teria feito, pode ajudar a polícia na elucidação do crime. O delegado Marco Antônio Alves vê conexão direta entre as denúncias feitas por Hernández e o assassinato.

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