Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Bilhete único tem falha diária no Metrô

Problema ocorre quando usuários vão recarregar cartão no autoatendimento. Companhia e SPTrans orientam procurar outros postos

BRUNO RIBEIRO , JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2012 | 03h05

Usuários do bilhete único de São Paulo têm enfrentado, diariamente, pelo menos uma falha no sistema de recargas do cartão nas estações de metrô. É comum encontrar o sistema com algum tipo de problema que impede a realização do serviço. A saída, então, é comprar bilhetes comuns de metrô, que não dão desconto na integração com ônibus nem viagens gratuitas nos coletivos.

Só no primeiro trimestre deste ano, foram registradas 93 falhas no sistema de recarga, segundo o Metrô. E os números repassados pela companhia contam apenas as reclamações feitas pelos usuários. O Metrô não mantém fiscais para saber se as vendas são ou não realizadas. O número de queixas em 2012 já é 28% maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2011.

Para o Metrô, a comparação entre os dois períodos fica prejudicada porque, de lá para cá, o número de pontos de recarga do sistema cresceu. "Deve-se considerar que houve, nesse novo modelo, um grande incremento na quantidade de equipamentos instalados, sendo de 23 para 182 máquinas de autoatendimento e de 254 para 353 máquinas de recarga automática de vales-transporte e consulta de saldos, o que prejudica a comparação."

A quantidade de problemas, porém, pode ser ainda maior, pois a subnotificação das queixas é grande. A maioria dos usuários não reclama das falhas. Na Estação Barra Funda, por exemplo, 50% dos entrevistados pelo Estado já havia tido algum contratempo com a recarga do bilhete único e nenhum havia procurado o Metrô para se queixar.

Atualmente, há quatro empresas contratadas pela companhia para fazer a venda dos créditos nas estações. Elas começaram a operar em novembro do ano passado. Antes, o serviço era feito por uma outra terceirizada.

Multas. Os culpados pelas falhas quase não são punidos, pois o Metrô e a São Paulo Transportes (SPTrans), que compartilham o sistema, têm visões diferentes sobre quem é responsável pela fiscalização. O contrato que o Metrô assinou com as novas empresas não as pune pelas falhas de recarga diárias ocorridas nas estações. "As multas são aplicadas levando-se em conta os indicadores de resultados estabelecidos, e não por ocorrências individualizadas verificadas em equipamentos", diz o Metrô.

A companhia argumenta que as falhas só são computadas se a interrupção do serviço não é causada por problemas com outra companhia, como, por exemplo, o serviço de telefonia. Nenhuma empresa foi multada neste ano por causa da suspensão dos serviços de venda de créditos. Também por questões contratuais, o Metrô não fiscaliza a recarga - que, em última instância, funciona como bilhetes de metrô.

A SPTrans, que gerencia o sistema do bilhete único, repassa a fiscalização dos pontos de venda do Metrô para o próprio Metrô. A empresa diz que "todos os postos de venda de bilhete único das estações de metrô são contratados pela Companhia do Metropolitano. Portanto, a fiscalização da qualidade dos serviços prestados nesses locais é de responsabilidade do Metrô".

O gerenciamento da SPTrans afirma que, no período citado, houve registro de uma única pane no sistema. "Todas as ocorrências registradas pelo Metrô não se referem à indisponibilidade generalizada, ou seja, são indisponibilidades momentâneas de uma ou outra rede de venda."

Orientações. "Quando o usuário encontra uma máquina ou local de venda de recarga indisponível, sugerimos que ele procure outro local, uma vez que estão disponíveis 10 mil de pontos de venda de recarga. Além disso, os créditos podem ser adquiridos pela internet, na loja virtual da SPTrans sem custo adicional", diz a empresa.

O estudante Bruno Liveera, de 20 anos, nunca teve uma boa relação com o sistema de recarga automática do bilhete único. Quando o sistema foi inaugurado, no ano passado, o cartão do estudante foi engolido pela máquina. Para retirá-lo, um funcionário do Metrô levou mais de uma hora e Liveera perdeu aquele dia de trabalho.

"Demorei para usar de novo. Nunca confiei de verdade nessa máquina, mas as filas sempre são menores." Não é sempre, no entanto, que o estudante consegue fugir das filas. No Terminal Barra Funda, o mais próximo de sua faculdade, as máquinas de recarga ficam fora do ar com frequência. "Já me atrasei várias vezes porque contava com a recarga rápida e tive de esperar muito para ser atendido nas cabines", conta Liveera.

O balconista Vanderlei Rocha, de 25 anos, também prefere usar as máquinas pela agilidade, apesar da desconfiança. Depois de fazer a recarga no totem da Estação Consolaçã, na manhã de sexta-feira, o comprovante não foi impresso. "Será que deu certo?"

Para a produtora Tatiana Jantchc, de 31 anos, "muita gente duvida que o dinheiro realmente entrou no cartão". Ela já encontrou as duas únicas máquinas de recarga da Estação Vergueiro sem funcionar várias vezes. "É um desconforto", diz.

O filho da cabeleireira Danúbia Alves já perdeu cerca de R$100 por erros na recarga do bilhete único, dinheiro que não foi recuperado.

"Você tem de fazer um formulário, uma burocracia danada, e ele não tem tempo." Mesmo com os dois totens da Estação Consolação vazios, Danúbia preferiu ficar na fila e ser atendida por um funcionário. "Essas coisas eletrônicas não são confiáveis. Prefiro ter a garantia de que vai funcionar." / B.R e J.D.

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