André Lessa/AE
André Lessa/AE

Bikes são estilizadas e viram 'motocletas'

Nas ruas da capital paulista, os modelos diferenciados ganham até escapamento

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2012 | 07h06

Elas têm farol, escapamento, muitas marchas e itens cromados. E, apesar de parecerem motos, não poluem o meio ambiente e ainda contribuem para o preparo físico de seus donos. Símbolo de estilo individual, as bikes podem ser tunadas - como os carros - e está cada vez mais fácil vê-las pelas ruas da cidade de São Paulo.

Dono de uma loja que modifica bicicletas, Fernando Fonseca explica que há duas formas de tuning. "Podemos fazer um upgrade: colocar mais marchas, um freio melhor ou banco mais confortável. Mas o tuning de verdade é transformar a bicicleta ao estilo chopper, como uma motocicleta", diz.

Essas modificações fazem a bike parecer, por exemplo, com as tradicionais motos Harley Davidson. Os aros ficam maiores, o guidão mais longo e os pneus mais grossos. Na loja de Fonseca, o preço do tuning varia de acordo com o grau de estilização pretendido. "Pode passar de R$3 mil. Os clientes têm as bikes como um troféu, eles mostram a personalidade pelo objeto que têm."

O artesão Edi Wilson dos Santos passeia com a bike tunada pelas areias de Caraguatatuba, onde mora, e pelas ruas do bairro da Lapa, na zona oeste, onde tem alguns clientes. "É uma bicicleta que condiz com meu estilo. Concilio saúde e vaidade", diz. Com bandana na cabeça, óculos Ray-ban, colete e botas de couro, Santos diz que o desejo de ser diferente o levou a fazer a sua "motocleta", como a define.

Ele diz que se enganam as pessoas que acham que a bicicleta é uma forma de compensar o desejo de ter uma Harley Davidson. "Eu sou harleyro, tenho a moto, mas prefiro a bike. Essa bicicleta me abriu portas que a Harley nunca abriu." Santos participa de vários eventos com a bike, de exposições a feiras literárias.

Fernando Fonseca diz que não existe um perfil de "tunador", mas admite que muitos amantes de motos estão migrando para as bikes. "Se você chegar com uma bicicleta dessas em um bar de motoqueiro, todo mundo para. Os caras querem ser diferentes, ter algo que o vizinho não tem. É isso que as bikes representam hoje."

Montagem. Muitos donos de bikes tunadas na capital paulista são os responsáveis pelas mudanças das próprias bicicletas. Na internet, é possível encontrar exemplos de tunagem em fóruns onde as pessoas trocam informações sobre o que podem realizar com as magrelas.

O serralheiro Paulo Caldonazzo, por exemplo, costumava comprar lotes de 30 bicicletas antigas e, ia, aos poucos, fazendo suas criações de duas rodas. "É muito difícil ter peças de acordo no Brasil, por isso temos de adaptar um monte de coisa", comenta. "Sempre fui muito curioso e a internet é de grande valia."

Segundo o consultor técnico da Harley Davidson Diego Fernandes, não é raro encontrar pessoas na loja buscando alguma inspiração. "Mas como as peças são customizadas, eles geralmente não compram nada. As bicicletas ficam incríveis, são como as motos, só não têm motor."

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