Bike em SP deve ter segurança, diz secretária de NY

Responsável por 450 novos quilômetros de ciclovias em Nova York desde 2007, a secretária de Transportes da cidade americana, Janette Sadik-Khan, virou inimiga número 1 dos taxistas, mas revolucionou o trânsito local. Em uma visita à capital paulista, a secretária disse nessa quarta-feira, 25, que São Paulo precisa garantir infraestrutura e segurança aos ciclistas antes de colocar mais bicicletas nas ruas.

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2013 | 02h01

Ela participou nessa quarta-feira de uma sessão na Câmara Municipal e do Arq. Futuro, evento no Ibirapuera com pessoas ligadas à área de arquitetura. Segundo Janette, as mudanças em Nova York ocorreram com uma melhor sinalização e políticas de redução de velocidade que tornaram as ciclovias mais seguras. São Paulo, com cerca de 60 km de ciclovias, ainda tem o desafio de oferecer alternativas que não tornem o uso de bicicletas um pesadelo para o trânsito.

"Com pouco metrô é preciso fazer do ônibus um serviço de primeira. Fizemos isso sem muito dinheiro, muitas vezes apenas usando tinta para redefinir as faixas. É possível aumentar a velocidade sem um grande sistema de metrô." O exemplo de Nova York começou a ser implementado em 2007. Ela lembra que um dos desafios das ciclovias é readaptar ruas que foram projetadas em outro contexto. "Estamos em 2013, mas nossas ruas ainda refletem o estilo de 1963, em que a prioridade era dar espaço para carros cada vez mais rápidos."

O projeto era parte de um redesenho do trânsito da cidade, que tinha entre seus objetivos reduzir pela metade o número de mortes por atropelamento, dobrar a quantidade de ciclistas e aumentar a velocidade dos ônibus. Com 450 km de ciclovias, o número de pessoas que usam bicicletas diariamente saltou de 10 mil para 40 mil.

Times Square. Nem todas as mudanças, porém, foram bem recebidas. O fim da circulação de carros em Times Square, segundo Janette, a tornou inimiga dos taxistas da cidade. "É preciso dar espaço para que as pessoas fiquem mais próximas das cidades. Não acho que as pessoas iam para lá para ver o trânsito, que ocupava 90% do espaço", afirma. Na região, o lugar que antes era ocupado por carros hoje tem bancos e cadeiras espalhados por todo lado. Ela garante que a medida não ampliou problemas de congestionamento da região.

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