'Big brother' da polícia entra em operação com 112 câmeras

Sistema de monitoramento batizado de 'Detecta' custou R$ 400 milhões; informações do 190 da PM também estão disponíveis

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2014 | 19h15

SÃO PAULO - Com 112 câmeras e um banco de dados com informações do 190 da Polícia Militar e do 193 do Corpo de Bombeiros, entrou em operação o sistema 'Detecta' da Secretaria de Estado da Segurança Pública. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou o decreto que permite que a pasta comece a acessar os dados na manhã desta terça-feira, 12, acompanhado do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), no Bom Retiro, na região central. 

Durante o ato também foi autorizado que o Estado faça convênios com empresas públicas, prefeituras e o setor privado para ampliar a quantidade de câmeras no sistema. Hoje, em todo o Estado, a Polícia Militar tem 418 câmeras, sendo que 352 delas estão na capital. "Nossa proposta é dobrar, mais de 1 mil câmeras de vídeo do governo. Agora, a possibilidade de câmeras do setor privado é muito maior", disse Alckmin. Ainda de acordo com ele, entradas e saídas de regiões metropolitanas no Estado, como Campinas e a própria Grande São Paulo, serão monitoradas. 

Nas próximas semanas, novas informações de segurança públicas serão inseridas no sistema. Os bancos de dados da Polícia Civil como o Registro Digital de Ocorrências (RDO) e o Sistema de Informações Sobre o Crime (Infocrim), além do Fotocrim (banco de dados com imagens) da Polícia Militar. 

"Nós queremos que no início do ano que vem nós tenhamos vários bancos de dados integrados", afirmou o secretário Grella. Ele espera que o 'Detecta' auxilie a reduzir as estatísticas da criminalidade. "Temos expectativa muito forte de que nos próximos meses vamos começar a assistir a redução dos indicadores", afirmou. 

De acordo com ele, cada agente de segurança terá acesso a um determinado tipo de informação. "Uma delegacia que apura crimes como enriquecimento ilícito pode ter acesso a informações patrimoniais, da Receita Federal, coisa que não é preciso de outras delegacias territórias", explicou. No entanto, segundo Grella, a Polícia Militar pode ter informações em tempo real de outras delegacias especializadas. 

Ocorrências. A partir de agora, apenas com as informações do 190 e 193, uma viatura que for deslocada para atender um chamado de disparo de arma de fogo, por exemplo, terá informações por rádio das ocorrências que aconteceram recentemente na região. 

No futuro e equipados de tablets com internet de alta velocidade, conforme novos bancos de dados forem colocados no 'Detecta', esse mesmo policial poderá saber em tempo real se na região há suspeitos que estão sendo investigados por outros crimes, foragidos da Justiça ou se em outros chamados do 190 registrados no sistema, o denunciante deu informações sobre as características do criminoso. O policial também terá acesso as imagens do sistema para confrontar informações em locais de ocorrência.

"Essa informação é pública. Se houve um boletim de ocorrência houve ação penal pública, não é intimidade e privacidade da pessoa. Quem responde a um processo por porte ilegal de arma é público e o policial tem que saber. Ele tem que se acautelar", explicou Grella. 

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