Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Bienal de Artes de São Paulo começa com obra pichada e tumulto

Instalação de Nuno Ramos com urubus vivos foi alvo de vandalismo; houve confronto e agressões

Camila Molina e Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

Um tumulto marcou a abertura, no último sábado, da 29.ª Bienal, no Parque do Ibirapuera, e provocou seu fechamento antes do horário previsto, às 19 horas. Por volta das 18h20, um rapaz invadiu a instalação Bandeira Branca, do artista Nuno Ramos, e pichou a frase "liberte os urubu (sic)". Houve confronto e troca de agressões entre os seguranças, grupos de defesa dos animais e pichadores. A polícia foi à Bienal.

 

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No meio do tumulto, um casal foi levado para o 36.º DP, acusado da pichação. Eles negaram. O rapaz detido pela polícia entregou à reportagem do Estado um cartão com a inscrição "Rafael Pixobomb", nome de integrante do grupo que fez pichações na Bienal de 2008. O casal não foi preso, segundo a polícia. Os dois e mais 10 integrantes de associações de defesa dos animais registraram boletim de ocorrência alegando ter sido agredidos pelos seguranças que, por sua vez, diziam ter sido as vítimas e agredidos. As pessoas que prestaram queixa diziam que o pichador Djan Ivson havia feito a inscrição na obra. Ele não localizado.

Nuno Ramos não quis dar queixa e não será aberto inquérito para investigar crime ambiental.Ontem, Nuno Ramos ainda decidiu que sua obra seria restaurada para, a partir de hoje, já ser vista sem a pichação.

"A palavra, para mim, é triste. Nesse lugar que é a Bienal, o outro aparece numa condição de agressão. Não estou chocado, não estou com raiva, vejo como algo atrasado", afirmou.

A confusão em torno da obra ocorreu durante manifestação ambientalista ao lado da polêmica instalação do artista, que abriga três urubus em seu interior.

Mas segundo alguns manifestantes durante o tumulto, a invasão ocorreu em protesto à seção "Pichação", que reúne vídeos e fotos de pichadores e seus trabalhos. Para eles, a Bienal quer "domesticar" o gênero. "Discordâncias devem ser expostas, mas dentro do respeito", afirmou o curador Moacir dos Anjos. "Foi o ato de uma pessoa do mesmo grupo que participa da 29.ª Bienal", disse ainda o curador.

Em nota oficial, a Fundação Bienal "lamenta e repudia os episódios de vandalismo e violência em relação à obra Bandeira Branca, de Nuno Ramos". "A mostra constitui um espaço de livre pensar e de debate, onde artistas e sociedade possam encaminhar temas de relevância como o presente. No entanto, esse debate deve se dar no campo das ideias, dentro dos limites da lei e do respeito", diz a nota, que ainda salienta que o trabalho de Nuno "atende a todos os requisitos legais no trato e manejo dos animais em questão".

O produtor da exposição, Emilio Kalil, afirmou que a visitação ocorrerá normalmente hoje. "Foi um ato muito bem armado apesar da segurança."

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