Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Bienal da polêmica cobre imagens de Dilma e Serra

Artista argentino fazia campanha para a candidata petista e, para não infringir a lei eleitoral, fundação decidiu esconder retratos dos candidatos e proibir propaganda

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A Fundação Bienal de São Paulo decidiu ontem cobrir os retratos dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), que fazem parte da instalação do artista argentino Roberto Jacoby, de 66 anos. Os organizadores também vão proibir qualquer menção à petista, para não infringir a lei eleitoral.

Em seu trabalho para a 29.ª edição do evento, que será aberto no sábado, Jacoby montou no pavilhão do Ibirapuera a instalação A Alma Nunca Pensa Sem Imagem, em que o tema é discutir a campanha eleitoral brasileira colocando lado a lado, em grande escala, retratos de Serra e Dilma. Além disso, o artista fazia campanha pela petista.

"A discussão política no mundo da arte não existe", afirmou Jacoby ontem ao Estado, se referindo ao tema geral da 29.ª mostra, justamente a relação entre arte e política. À tarde, ele e seus colaboradores usavam camisetas vermelhas do avesso com o nome de Dilma e se diziam "surpreendidos" pela decisão.

Segundo a assessoria, a Bienal fez consulta à Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo do Ministério Público Federal e recebeu como resposta, anteontem, que a lei veta propaganda de qualquer natureza em bens públicos e em evento financiado por recursos públicos. "A gente não faz juízo de valor sobre a obra, nossa preocupação maior é o espaço público", afirmou o presidente da Bienal, Heitor Martins. "O Tribunal Regional Eleitoral nos disse que a obra representava crime eleitoral."

Por meio de uma recomendação - antes de o caso chegar à curadoria geral de fundações, em Brasília -, a Bienal encobriu a obra de Jacoby. A instituição e curadores ainda estavam em negociações ontem com o artista sobre o caso de sua instalação voltar à configuração original depois das eleições. "Na proposta constava que seu trabalho seria sobre campanha, não que seria quase um comitê de campanha", afirmou o curador Moacir dos Anjos. O espaço da instalação de Jacoby, segundo o artista, ficará com as cadeiras, o palanque e mesas dedicadas a oficinas livres.

Outra polêmica. No dia 17, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, pediu a remoção dos desenhos do artista Gil Vicente "por fazer apologia ao crime". Em sua série, o pernambucano aparece matando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. As obras não serão retiradas, informou a Bienal.

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