Bienal atrai 74 mil por dia e agrada a 93%

Algumas editoras chegaram a registrar vendas até 90% superiores às de 2008

Raquel Cozer, Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

Perfil. Pesquisa constatou presença de maior público feminino e jovem, que chegou a tratar escritores como popstars          

 

 

 

 

 

Com maior investimento em programação cultural e em divulgação, a 21.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, encerrada ontem, recuperou um público perdido na edição 2008. Nos dez dias do evento, passaram pelo Anhembi cerca de 740 mil pessoas, numa média diária (74 mil) pouco maior que a de 2006, quando em 11 dias o espaço recebeu 811 mil pessoas. Em 2008,essa média diária foi de 66 mil.

O dia de maior movimento foi o segundo sábado, anteontem, quando 110 mil pessoas visitaram o evento, atraídas pelos descontos - mais comuns no final da feira - e por atrações como Ziraldo, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto. O espaço mais visitado foi o infantil O Livro é uma Viagem, que recebeu 50 mil crianças.

O balanço final de faturamento ainda não foi divulgado, mas editoras e livrarias consultadas pelo Estado confirmaram que o número de livros vendidos foi superior ao da edição de 2008 - nos estandes da Editora Senac e da Livraria Saraiva, por exemplo, o acréscimo foi de 50%, enquanto a Record observou crescimento de 90%. Em alguns estandes, as vendas superaram até as da edição de 2009 da Bienal do Rio, evento que costuma fazer mais caixa que o paulistano - caso da Melhoramentos, que teve aumento de 40% na comparação com o ano passado.

Raio X. Pela primeira vez, a organização da Bienal contratou um instituto de pesquisa, o Datafolha, para fazer um balanço mais preciso do evento. Em números prévios divulgados ontem - o resultado final da auditoria deve sair só depois de amanhã -, o instituto constatou uma presença maior do público feminino (59% dos visitantes foram mulheres) e jovem (34% tinham entre 14 e 25 anos). A pesquisa também diagnosticou uma boa avaliação desta Bienal, considerada ótima ou boa para 93%. O maior problema foi a praça de alimentação, que apenas 37% avaliaram como ótima ou boa.

Popstar. Alguns escritores descobriram como é ser uma estrela semelhante às do rock. No sábado, uma pequena multidão tentou acompanhar a palestra da Lygia Fagundes Telles no Salão de Ideias.

Como a sala comportava apenas 150 pessoas, as demais tiveram de se contorcer nas paredes envidraçadas, de onde conseguiam observar e fotografar a autora. "Fico satisfeita ao descobrir que o escritor, embora habitualmente morra pobre, ao menos conta com o carinho do público", disse a autora, que precisou ser escoltada por seguranças para conseguir movimentar-se pelo local. A medida, aliás, foi adotada até por veteranos de Bienal, como o cartunista Ziraldo, que também necessitou de escolta.

O apelo televisivo também servia para lotar as salas. A mesa "Fazer Humor é Coisa Séria", com a atriz Guta Stresser, o jornalista Guilherme Fiuza e os humoristas Rafael Cortez e Paulo Caruso, por exemplo, lotou ontem à tarde o espaço Território Livre, de cem lugares. E ao menos outra centena aguardava do lado de fora, na esperança de fotografar especialmente Cortez, do programa CQC.

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