Bienal abre exposição da SPFW para o público

Instalações abordam processo criativo de estilistas, designers e fotógrafos em 12 estações que vão misturar depoimentos, imagens e objetos, até dia 15

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h04

Quem entrar a partir de hoje no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, poderá conhecer de perto um pouco do trabalho de nomes importantes da moda, do design brasileiro e da fotografia. Estão ali reunidos roupas e longos depoimentos dos estilistas Lino Villaventura, André Lima e Reinaldo Lourenço, entre outros.

A exposição Universo Criativo - Projeto Brasil 2, inaugurada para convidados na abertura da São Paulo Fashion Week, na semana passada, abriu para o público anteontem. Ela ocupará 3 mil m² do pavilhão térreo da Bienal até 15 de fevereiro. O objetivo da mostra é desvendar o caminho desse processo criativo: como ele nasce e se desenvolve até chegar ao produto final - a roupa na passarela.

Para isso, a exposição alinhava várias expressões da cultura brasileira organizadas em instalações. São 12 torres, feitas com estrutura metálica, parecidas a andaimes de construção. Na torre número 6, por exemplo, há um vídeo de André Lima - conhecido pelo estilo exuberante e cenográfico das coleções - ao lado de um ensaio da Favela da Rocinha, no Rio, assinado pelo fotógrafo André Vieira. "Tentamos reunir vários 'Brasis'. São o luxo e o devaneio, de um lado, e o interior da favela do outro", diz Graziela Peres, uma das curadoras. "Tudo isso faz parte das inspirações e do universo criativo."

Na torre 2, o visitante encontra peças do acervo de Lino Villaventura que marcaram a carreira do estilista. Além do ensaio de moda com os índios xikrin, da Amazônia, feito por Claudia Andujar, nos anos 1970. A fotógrafa nasceu na Suíça, em 1931, e, após a Segunda Guerra, emigrou para Nova York. Em 1955, veio para o Brasil. O contato com o antropólogo Darcy Ribeiro fez com que se interessasse pela cultura indígena do País.

Burburinhos. Para receber a exposição, o andar foi totalmente forrado de preto. O objetivo é que o olhar do visitante não desvie para a arquitetura do prédio. Em cada torre há imensas telas que mostram vídeos com depoimentos, todo o tempo. A câmera não sai do rosto do artista, o som é alto, todos falam ao mesmo tempo. "Tentamos criar um burburinho de ideias. É o pensamento em ebulição", diz Graziela.

Debaixo de cada estação, pilhas de carvão foram espalhadas. E o ambiente parece esfumaçado para aumentar o que Graziela chama de "ambiente misterioso".

É preciso ir com tempo à mostra ou planejar mais de uma visita. Cada depoimento tem em média meia hora. Outra sugestão é selecionar as torres que mais interessam. O fotógrafo Mario Cravo Neto exibe, por exemplo, as cores explosivas do Festival de Parintins na mesma estação em que o estilista Oskar Metsavaht, da grife Osklen, fala sobre seu processo criativo. Junto estão imagens da Floresta da Tijuca, registradas pelas lentes de Murillo Meirelles.

Essa estação assim como as outras revelam de formas distintas o ponto de intersecção entre diferentes manifestações culturais. E levam o visitante a pensar sobre o que é, de fato, a moda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.