Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

‘Bico calado, que aqui você está mexendo com peixe grande’

Peça-chave no escândalo da Lava Jato da PM, comerciante afirmou à Justiça Militar que o tenente-coronel o ameaçou de morte

Marcelo Godoy e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Peça-chave no escândalo da Lava Jato da PM, o comerciante Márcio Luiz dos Santos afirmou ao depor na Justiça Militar que o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho o ameaçou de morte: “Bico calado, que aqui você está mexendo com peixe grande”. Santos entendeu que a ameaça era “agravada pelo fato de lidar com policiais”. O comerciante havia vendido para o coronel uma empresa - a Contruworld - usada no esquema de fraudes.

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Santos contou que estava quebrado quando o coronel lhe fez a proposta de comprar a empresa. “Não tenho crédito em lugar nenhum. Meu carro é um Logan 2008.” A empresa foi vendida por R$ 5 mil, mas não foi passada para o nome de Adriano. “Ele (o coronel) sabia que eu estava falido. Foi tudo verbal.”

De acordo com Santos, o coronel passou a usar então a Construworld. “Eu ficava com os talões (de cheques). Tudo assinado.” Por causa da ameaça a Santos, Adriano teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar. O advogado do tenente-coronel, Luiz Antonio Nunes Filho, nega que seu cliente ameaçado as testemunhas. 

A Construworld fechou 207 contratos para obra na PM. Eles foram considerados irregulares pelo Ministério Público Estadual, que denunciou Adriano e o capitão Dilermando César Silva. O capitão nega ter ficado com recursos do esquema. Ao depor, disse ter assinado documentos sem ler.

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