Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Bicicletários ganham espaço em escolas de SP

Procura faz colégios organizarem palestras e incentivarem professores a aderir às bikes

Juliana Deodoro, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2012 | 03h03

Nada de motorista, perua ou carona. Jovens estudantes de colégios particulares de São Paulo têm adotado cada vez mais a bicicleta como meio de transporte para ir às aulas. Diante da demanda dos alunos, as instituições de ensino estão tendo de se adaptar, instalando mais bicicletários, promovendo palestras com cicloativistas e incentivando professores e funcionários a dar o exemplo e adotar a bike.

Na escola de Antônio D'Angelo, de 16 anos, o bicicletário foi trocado recentemente por outro que comporta o triplo de bicicletas. Segundo o diretor do Mater Dei, Sylvio Gomide, a necessidade, que foi percebida neste ano, é comemorada dentro do colégio. "Quanto mais bikes, melhor. Gostaria de ter demanda para mais de 50", diz.

Antônio, que até então era levado pela mãe para a escola, adotou a bicicleta e não quer largá-la de jeito nenhum, mesmo com os irmãos indo de carro no mesmo horário e para o mesmo lugar. "Melhorei meu condicionamento e até minhas notas, porque chego mais acordado", conta.

Quando o filho tomou a decisão de ir de bicicleta, Cláudia Fontoura, de 44 anos, ficou receosa. Nos primeiros dias, o seguiu de carro durante todo o percurso. Após algumas semanas, ainda pedia para Antônio ligar quando saísse da escola e chegasse em casa. "Ele foi mostrando que era responsável, eu ganhei confiança e hoje vejo que ele tem muito mais autonomia", diz a mãe.

Para a diretora da Federação Nacional de Escolas Particulares, Amábile Pácios, já é perceptível o aumento de jovens que vão de bicicleta para a escola. "Sabemos que 90% dos pais preferem escolas nas proximidades de casa. E uma das razões disso é a possibilidade de a criança ir de bicicleta", conta. Apesar de acreditar que a mobilidade é um tema central em todas as cidades do País, Amábile diz que a preocupação central deve ser a segurança dos alunos. "Recomendamos que as escolas tenham bicicletários e eduquem o aluno a ser bom usuário."

Os amigos Duarte Penreiro, de 17 anos, e Pedro Coleta, de 16, sempre pedalam juntos até o colégio e garantem ser cuidadosos com a segurança. Pedro, que mora um pouco mais distante, encontra com Duarte na porta de casa. "Tomo cuidado, não sou daqueles que ficam fazendo manobra", afirma Duarte. Pedro completa: "Na bike, você tem de ficar atento porque é mais perigoso".

Pedagógico. Segundo Daniel Guth, coordenador do projeto Escola de Bicicleta, da Secretaria Municipal de Educação, o incentivo ao uso da bike é mais eficiente quando há uma proposta pedagógica da escola. "Em muitos casos, é uma decisão individual do adolescente, mas o ideal é que se tenha uma política pedagógica, pois a bicicleta ajuda na expansão da personalidade e consciência deles."

Pesquisa. Na Escola Viva, que fica na Vila Olímpia, zona sul, a magrela é um dos eixos da pesquisa do aluno sobre mobilidade. "Andar de bicicleta se tornou uma atividade curricular. Fazemos uma passeio de bike no centro e vamos criar um 'bonde' para os alunos irem juntos todos os dias", diz o coordenador Paulo Rota. "Com tantos transtornos que as escolas causam ao trânsito, temos de pensar em como podemos contribuir para a cidade."

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