Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Bicicleta vai ocupar motofaixa na Vergueiro

Liberação será nos domingos e feriados, mas há quem defenda compartilhar a via

Adriana Ferraz / Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2012 | 22h38

As bicicletas terão sinal verde para ocupar a motofaixa da Rua Vergueiro nos domingos e feriados, no trecho entre o Paraíso, na zona sul, e a região da Sé, no centro de São Paulo. Segundo a Secretaria Municipal dos Transportes, o local será liberado nas próximas semanas, durante a segunda fase de instalação da ciclofaixa da Avenida Paulista, prevista para abrir no dia 2.

A utilização do corredor de uso exclusivo para motos é reivindicação antiga. Em maio de 2010, quando a via ainda era sinalizada pela Prefeitura, bicicletas foram desenhadas no chão para forçar a abertura do trecho aos ciclistas, o que não aconteceu.

De lá para cá, a pressão só aumentou. A expectativa inicial, há 2 anos, era de que 1,3 mil motos utilizassem a motofaixa diariamente, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Segundo a própria companhia, a faixa da Vergueiro não atraiu a demanda esperada.

O baixo movimento na motofaixa fez a Prefeitura desistir de criar outros corredores exclusivos na cidade. Sem oferecer opção, o Município também abandonou o projeto de proibir motociclistas na Avenida 23 de Maio.

A mudança de postura em relação à motofaixa anima, mas não satisfaz por completo quem defende o uso da bicicleta como meio de transporte diário. Grupos de ciclistas ainda querem o uso das motofaixas não apenas em período de lazer, mas também em dias de semana, como uma ciclovia "compartilhada". Hoje, a capital tem dois corredores nesse formato. Além da Vergueiro, há uma motofaixa na Avenida Sumaré, a pioneira, na zona oeste de São Paulo. Juntas, somam quase 7 quilômetros.

Enquete. A polêmica levou o cicloativista Henrique Boney a criar uma enquete a fim de discutir o uso compartilhado da motofaixa da Vergeiro. Por e-mail, Boney pergunta à lista de contatos se o compartilhamento de faixas por motociclistas e ciclistas é possível em São Paulo.

O objetivo é comprovar uma tese que desenvolveu após uma contagem feita por ele no ano passado. "Fiquei 12 horas contando motos e bicicletas que circulavam pela motofaixa da Vergueiro, e pude observar que elas já dividem esse espaço", afirma.

Em até um mês, o cicloativista pretende apresentar os resultados de sua pesquisa e levantar ainda mais a discussão sobre a possibilidade de a cidade planejar motofaixas que permitem o uso compartilhado. Já os sindicatos que representam os motociclistas exigem a retomada da política municipal de criação de novas faixas exclusivas para motos, incluindo a Avenida 23 de Maio. Até o fim da gestão Gilberto Kassab (PSD), porém, nenhum novo trecho deve ser entregue.

 

Debate

Motos e bicicletas devem andar na mesma faixa?

SIM

William Cruz -Sim Desde que essa integração seja bem regulamentada e sinalizada, é possível, sim, promover uma convivência saudável entre ciclistas e motociclistas, ou mesmo motoristas. Em Londres, por exemplo, as bicicletas utilizam a mesma via dos ônibus e dá certo. Mas essa possibilidade não depende apenas de pintura no chão, é preciso conscientização e preparo de ambos os lados. Muitos ciclistas já usam a motofaixa da Avenida Sumaré, mas, na minha opinião, estão se arriscando. Lá, alguns motociclistas respeitam o ciclista, mas outros os veem como intrusos. De todo jeito, é um avanço a liberação da motofaixa aos domingos. Pode ser o início de uma relação melhor.

É CICLISTA E AUTOR DO BLOG ‘VÁ DE BIKE’

Gilberto Almeida dos Santos - NÃO

Não Bicicletas não desenvolvem a mesma velocidade das motos. Em um corredor exclusivo, essa diferença se torna perigosa. Na motofaixa da Rua Vergueiro, por exemplo, o motociclista tem de avançar no espaço dos carros para poder ultrapassar um ciclista. Além disso, precisa reduzir a velocidade, o que pode provocar acidentes. Em dias de semana, onde o fluxo de motos é infinitamente maior, fica complicada essa convivência. É como misturar uma tartaruga e um elefante. Já nos fins de semana, não vejo problema. Em São Paulo, bicicletas devem ser usadas para o lazer e é justo que elas tenham um espaço aos domingos.

É PRESIDENTE DO SINDICATO DOS MENSAGEIROS, MOTOCICLISTAS, CICLISTAS E MOTOTAXISTAS DE SÃO PAULO

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