Maria Eduarda Chagas/Estadão
Maria Eduarda Chagas/Estadão

Bicicleta, sapatos e muitos documentos estão entre os Achados e Perdidos do Metrô

Setor, na estação da Sé, completa 40 anos e recebe, em média, 6 mil itens por mês

Maria Eduarda Chagas, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 20h03

Após perder sua dentadura, um senhor foi à Central de Achados e Perdidos do Metrô de São Paulo na esperança de encontrá-la. Para sua surpresa, os funcionários do local tinham encontrado dentes postiços perdidos na estação e, pela descrição e pela data da perda, o homem teve a certeza de que teria seu sorriso de volta. Tudo certo? Cinco minutos depois, volta o homem e se desculpa. "Não era a minha".

Histórias como esta são contadas por Suzana Celia de Andrade, supervisora da central, e exemplificam situações vividas nos 40 anos do setor, completados nesta segunda-feira, dia 15. 

Pela dentadura, é possível imaginar a diversidade de itens que esperam seus donos no local. São dezenas de celulares, documentos, carteiras e guarda-chuvas, mas há também bolsas, sapatos, quadros, livros e hoje chegou até mesmo uma bicicleta. O setor recebe, em média, 6 mil itens por mês. Destes, 60% são documentos e 40%, objetos.

Os objetos permanecem entre os achados e perdidos por 60 dias e, caso não sejam recuperados, são doados ao Fundo Social de Solidariedade de São Paulo. Documentos são restituídos aos órgãos expedidores. Itens muito inusitados, como um facão, um disco da Carmen Miranda ou medalhas, que não têm utilidade para instituições de caridade, ficam em uma estante apelidada carinhosamente de museu. Hoje, fica também no local uma estátua de São Longuinho, presente dos funcionários do Metrô.

Os objetos já viraram exposição duas vezes. Em 2013, a artista plástica Marcia Gadioli selecionou alguns itens para ficarem expostos na estação Trianon/MASP. Agora, para comemorar os 40 anos da Central de Achados e Perdidos do Metrô, uma nova leva foi montada pela artista na estação São Bento, da Linha 1-Azul. A instalação Perdidos Achados fica em cartaz até o final do mês de junho.                                  

Em busca do objeto perdido. O serviço, na estação da Sé, pareceu bem movimentado nesta terça-feira. Em aproximadamente 1 hora e meia, 18 pessoas foram procurar algum pertence deixado para trás no metrô ou perto das estações. Apenas um caso foi bem-sucedido. Leandro Machado Cruz, oficial da Marinha, de 33 anos, encontrou uma mala que havia perdido após voltar de uma viagem, no último domingo. “Fiquei muito feliz. Não esperava que fosse encontrar”, comemora.

O aposentado Erito de Souza Leão, de 82 anos, não teve a mesma sorte. No domingo, ele perdeu um chaveiro no metrô. Músico por diversão, o senhor queria mesmo era encontrar sua chave para afinar pandeiro, que estava junto do molho, mas não teve sucesso. Nenhum item batia com a descrição dada por Souza Leão. "Acontece, mas não é culpa do Metrô. A culpa é de quem acha e não devolve", lamenta.

O Metrô não tem uma estimativa de quantas pessoas buscam a Central de Achados e Perdidos sem sucesso, mas segundo a empresa, em média são devolvidos quase 25% de tudo o que é encontrado. Até abril deste ano, o setor recebeu mais de 25 mil itens, mas muitos ficam esquecidos mesmo pelos donos. Guarda-chuvas, por exemplo, são os objetos menos buscados pelos usuários. Já celulares estão entre os mais procurados. De um jeito ou de outro, Suzana Celia de Andrade destaca que é gratificante quando um pertence é encontrado. “Às vezes são fotos, objetos que parecem não ter a menor importância para a gente, mas para aquela pessoa é uma alegria imensa reencontrar o que estava perdido.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.