Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bicho pode ser escudo da fauna nativa

'Antes era tudo escondido. Muitos de nós caçavam capivara, outros animais. Mas na hora que apareceu o porco a gente se animou', relata especialista

Giovana Girardi e Gabriela Biló, enviadas especiais a Barretos (SP), O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2016 | 03h00

Há quem acredite que os javalis e javaporcos, se mantidos em uma população pequena, podem ter uma função ecológica de servir de “escudo” da fauna local. Foi o que pesquisadores observaram no Pantanal, onde uma variante do javali, o porco-monteiro, vive em certo equilíbrio há 200 anos.

No relato de caçadores ouvidos pela reportagem, isso não parece tão absurdo. “Antes era tudo escondido. Muitos de nós caçavam capivara, outros animais. Mas na hora que apareceu o porco a gente se animou. Andando por aí a gente vê veado, mas nem chega perto. Um porco rende cem quilos. Vai matar bicho bonitinho de 10 kg?”, contou Anderson Moreno.

“Depois que começamos a caçar o porco, às vezes até passa capivara do nosso lado, mas nem ligo. Para quê? Deixa a capivara quieta. Você se encrenca mais matando uma capivara que alguém num bar”, emendou Henrique Souza.

O pesquisador Felipe Pedrosa, da Unesp, investiga também se o javali, também em baixa densidade, poderia desempenhar o papel de antas como dispersores de sementes em locais onde o maior mamífero terrestre das Américas já não existe mais.

“Em altas densidades, os javalis alteram a dinâmica dos recursos hídricos, podem soterrar nascentes, competem com espécies nativas, como queixadas e catetos. Mas se tivermos o porco sob controle, em uma quantidade pequena, talvez o benefício possa ser maior que o malefício para o ambiente, ao ajudar na ciclagem de nutrientes, defecando e fertilizando o solo, e auxiliar na dispersão de semente”, afirma Pedrosa.

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