VALERIA GONCALEZ/ESTADAO
VALERIA GONCALEZ/ESTADAO

Biblioteca pública paulistana disputa prêmio internacional

Espaço no Parque Villa-Lobos inova até ao permitir barulho em quase todos os ambientes; outros quatro finalistas do prêmio 'Biblioteca Pública do Ano' são de Cingapura, Noruega, Holanda e EUA

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Torneio de videogame, sala de coworking, aula de ioga, exibição de jogos da Copa do Mundo, sessão de cinema, curso de informática, cafeteria e exposição de artes. A descrição lembra um centro cultural, mas se refere à Biblioteca Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana. 

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O espaço foi inaugurado em dezembro de 2015 na área de um antigo lixão. No ano passado, recebeu 287 mil visitantes. Considerado “modelo” pelo governo do Estado, é um dos cinco finalistas do concurso Biblioteca Pública do Ano promovido pela Federação Internacional de Associações de Bibliotecas (International Federation of Library Associations). Ele concorre com instituições de Cingapura, Noruega, Holanda e Estados Unidos, em um total de 35 inscritos. O prêmio é exclusivo para espaços abertos em até três anos. O vencedor será anunciado em agosto e receberá US$ 5 mil (cerca de R$ 19,4 mil).

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Dentre os diferenciais da Villa-Lobos está a permissão do barulho em quase todos os ambientes, a variedade do acervo (que reúne de jogos a DVDs) e a acessibilidade, tanto por deixar os livros dispostos livremente quanto em oferecer ferramentas para leitores com deficiência visual, auditiva ou locomotora. “Em uma biblioteca tradicional, nem no livro se tocava sem alguém interferir. Isso acaba criando obstáculos”, diz Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, organização social gestora do espaço, que é estadual. 

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Segundo ele, a proposta é dispor do máximo de ferramentas para que o público possa se desenvolver. Dentro disso, cerca de 30% do acervo é comprado com base em sugestões. “Fazemos aquisição semanalmente, como se fosse uma livraria.”

Público

Aos 4 anos, Benício não sabe ler, mas só na tarde desta quarta-feira, 11, conheceu 15 livros ao lado da mãe, a estilista Caroline Aires, de 32 anos. Pela primeira vez na Biblioteca Villa-Lobos, foi ao local com dois amigos (e suas respectivas mães) por causa do mau tempo, que atrapalhou os planos de ir ao zoológico. “Conhecíamos o parque, mas nunca tínhamos entrado na biblioteca”, conta Caroline.

Os irmãos Lucas e João Paulo, de 5 anos, também conheceram o espaço pela primeira vez, ao lado dos pais, a assistente social Cristiane Scaqueti, de 47 anos, e o analista de sistemas Denis Scaqueti, de 40. “Gostamos que possam interagir com os livros e não precisam se preocupar com silêncio”, diz a mãe. Por ser público, ela confidencia que tinha baixas expectativas, mas gostou.

Perto dali, o professor de Inglês Jeffrey Stoy, de 42 anos, estava deitado de meias enquanto brincava com Nicholas, de 9, e Mellany, de 14. “A gente veio passar o dia. Fizemos um piquenique”, diz o caçula. 

Já o bibliotecário Kleber Tadashi, de 35 anos, lamentou que a biblioteca é exceção na realidade de instituições públicas. “Poderia ser mais distribuído. Já trabalhei em biblioteca que não tinha nem lâmpada. Essa região já é bem servida de bibliotecas”, afirmou.

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