Bexiga vai ganhar site com mapa dos teatros do bairro

Centro de Preservação Cultural da USP está reunindo dados sobre grupos alternativos que formam roteiro quase invisível na cidade

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2012 | 03h03

Um circuito escondido - mas muito importante para a vida cultural de São Paulo - começou a ser mapeado pelo Centro de Preservação Cultural (CPC) da Universidade de São Paulo. São os grupos de teatro alternativos do Bexiga, bairro da região central. Eles ficam na mesma região de espaços já tradicionais, como o Teatro Sérgio Cardoso, na Rua Rui Barbosa, mas têm pequenas sedes, baixo orçamento e elenco enxuto.

"Esses grupos de teatro formam um roteiro quase invisível na cidade, que precisa ser revelado", diz Rose Satiko, vice-diretora do CPC.

Além de levantarem nomes e endereços dos grupos, os pesquisadores estão filmando e fotografando o trabalho de cada um deles. "Todo esse material servirá de base para um site, que deve ser criado até o fim do ano", continua Rose.

A maioria dos grupos não tem nem sequer nome na porta. Os poucos que fogem à regra optam por uma placa tímida na fachada. É o caso da Cia Elevador de Teatro Panorâmico, grupo com 12 anos de história que só em 2010 conquistou sede própria na Rua 13 de Maio. "Precisávamos de um espaço para guardar os figurinos e a cenografia de antigas peças, além de um local para ensaiar", diz a atriz Carolina Fabri, de 32 anos, administradora do grupo. "Fomos para a região porque era um local com aluguel baixo e imóveis com bom potencial de aproveitamento."

Até o dia 29, o grupo estará em cartaz no Sesc Belenzinho com a peça Ifigênia, uma tragédia grega. Quando estão fora da sede, como agora, o teatro é locado para outros grupos, ou serve de auditório para cursos gratuitos montados pelo diretor artístico Marcelo Lazzaratto.

Dos 19 teatros catalogados pelo CPC até agora, 13 são de companhias pequenas que se estabeleceram na região nos últimos dez anos.

Interação. Entre elas está o Teatro de Narradores, que se destaca pela interação com o bairro - o grupo leva suas peças às ruas. Cidade Fim - Cidade Coro - Cidade Reversa, por exemplo, conta até com a participação de moradores da região, como o restaurador de móveis antigos Donizete Arantes dos Santos, de 55 anos. Mineiro, ele conta no palco como chegou ao Bexiga. A peça é dividida em três partes. Na última, atores e público interagem com pedestres e clientes dos bares. Ela voltará a ser encenada no dia 6, na Virada Cultural, e em junho na sede do Narradores.

"O grupo valoriza o bairro e ainda traz para a plateia pessoas que nunca vão ao teatro", diz José Fernando Azevedo, de 37 anos, dramaturgo e diretor do Teatro de Narradores. "E a região é um resumo de tudo que temos em São Paulo: cortiço, favela, tráfico de drogas e uma classe média acuada em prédios. Negociar o convívio não é fácil. Alguns participam, outros reclamam do barulho que o espetáculo faz quando vai às ruas."

Também fica no Bexiga a sede do Teatro da Vertigem. Criado em 1992, ganhou destaque na cidade por se apresentar em lugares inusitados. É deles, por exemplo, a peça BR-3, encenada nas águas do Rio Tietê.

Fim de semana. Em uma viela ainda residencial, que desemboca na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, o Espaço Fofos Encenam está com peça em cartaz neste fim de semana. R & J de Shakespeare - Juventude Interrompida é uma adaptação de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, e poderá ser vista ali até 29 de abril.

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