Bens do traficante Abadía serão leiloados pela Justiça

Patrimônio inclui imóveis com valores entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões, um sítio e uma fazenda

Rodrigo Pereira ,

19 de setembro de 2007 | 23h44

A Justiça Federal decretou a venda antecipada de todos os imóveis e veículos atribuídos ao megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía no Brasil em leilão eletrônico e presencial. A decisão foi tomada pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal, que acolheu na noite de terça-feira a denúncia do Ministério Público Federal e abriu processo penal contra Abadía e seu grupo - formado por outros 13 suspeitos presos pela Polícia Federal na Operação Farrapos em 7 de agosto -, e contra o policial federal Adilson Soares e o suboficial da Anac em Foz do Iguaçu, Angelo Reinaldo Fernandes Cassol, pegos no decorrer das investigações. A venda será promovida pela própria Justiça Federal e inclui três residências com valores entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões em condomínios de luxo em Barueri (SP), Florianópolis e Angra dos Reis (RJ), um sítio em Pouso Alegre (MG) e uma fazenda em Guaíba (RS). No despacho, o juiz pediu à PF a relação de moeda estrangeira, jóias, relógios, bens móveis e até do vestuário apreendido com a quadrilha para juntar ao processo. Do suposto patrimônio de Abadía, até agora só foi poupada a lancha Intemarine 520 utilizada pelo megatraficante no Brasil e avaliada em pelo menos R$ 1 milhão. Uma empresa afirma ser a legítima proprietária do barco e o juiz embargou a venda até que isso fique esclarecido. Abadía responderá pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documento falso e corrupção ativa, com penas de 8 a 31 anos de prisão. Sua mulher, Yessica Paola Rojas Morales, responderá pelos mesmos crimes, exceto corrupção, com penas de 6 a 19 anos. De todos os presos na Operação Farrapos, apenas quatro tiveram o arquivamento do inquérito policial decretado pelo juiz, entre eles Elaine Mostardeiro Barcellos, mulher do piloto André Luiz Telles Barcellos - tido como braço direito de Abadía -, e o empresário Júlio Cesar de Oliveira. Este último ainda estava detido e teve a prisão preventiva revogada na decisão. O policial federal e o suboficial da Anac não foram acusados de participar do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico do colombiano, mas de garantir a permanência de Abadía e seus comparsas estrangeiros no Brasil com a venda dos carimbos de permanência. Os estrangeiros Cesar Daniel Amarilla (Índio), Henry Edval Lagos (Pacho) e Victor Manuel Moreno Ibarra (Casquinha), ainda foragidos, foram acusados pelos crimes de lavagem e formação de quadrilha (4 a 13 anos de prisão) e tiveram interrogatório marcado para o dia 15 de outubro. Os outros interrogatórios já foram determinados pela Justiça, mas foram mantidos em sigilo por medida de segurança.

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