Beltrame prende, pela 6ª vez, apontador do bicho

Depois da Operação Dedo de Deus, que há 15 dias prendeu 44 pessoas ligadas à cúpula do jogo do bicho, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, decidiu atacar o problema pela base. Na terça-feira, deu voz de prisão, pela sexta vez, a um apontador do jogo do bicho que faz ponto perto da casa dele, num dos quarteirões mais chiques de Ipanema.

MÁRCIA VIEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2011 | 03h01

Roberto de Azeredo Coutinho atuava na esquina da Nascimento Silva com a Garcia D'Ávila.

Beltrame justifica a atitude dizendo que o combate a qualquer crime começa por ele. Mas prendeu sabendo que Roberto seria solto tão logo chegasse à delegacia. De fato, os dois deixaram a DP praticamente juntos.

A legislação impede que os anotadores sejam mantidos na cadeia porque o crime do qual são acusados é considerado leve.

"Essa situação é um absurdo. Prendemos e depois eles são liberados porque a legislação não permite mantê-los presos", disse Beltrame. "Chegou a hora de a sociedade decidir o que deseja em relação ao jogo do bicho. Se criminaliza essa prática, ou legaliza."

Mudança. Além de prender o anotador, Beltrame decidiu mexer nos procedimentos policiais. A Polícia Civil expediu ontem portaria que orienta delegados a enquadrar anotadores do jogo no crime contra a economia popular.

Na Operação Dedo de Deus, a polícia descobriu que os resultados dos sorteios estavam sendo manipulados pelos contraventores. Com base nisso, pretende abrir inquérito contra os anotadores.

Em 2011, as Polícias Civil e Militar prenderam cerca de 3.350 contraventores, o maior resultado do Estado em um ano. A maior quantidade de prisões em um mesmo dia foi na sexta-feira, 23 de dezembro: 197 apontadores e 30 operadores de caça-níqueis foram detidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.