Belo Horizonte e Rio também têm dia de manifestações

Moradores interditaram Anel Rodoviário da capital mineira; ativistas voltam a acampar na frente da casa de Cabral

Marcelo Portela / BELO HORIZONTE, Adriano Barcelos / RIO e Thaise Constancio / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2013 | 02h04

Também foram registrados protestos da população nas outras duas capitais mais populosas do País, Belo Horizonte e Rio. Dezenas de moradores da favela da Luz interditaram na noite dessa segunda-feira, 28, os dois sentidos do Anel Rodoviário na altura do bairro Jardim Vitória, na região nordeste da cidade mineira.

Foi o segundo protesto que interditou uma rodovia na Região Metropolitana, pois, pela manhã, um grupo já havia fechado a LMG-808, em Contagem, na Grande BH, em protesto contra a possibilidade de desocupação de uma área invadida.

Nos dois casos, os manifestantes atearam fogo em entulho para bloquear o tráfego nas vias. No Anel Rodoviário, segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 200 pessoas pediam a construção de uma passarela, além de protestarem por causa da morte da mãe de um dos líderes comunitários da Favela da Luz, vítima de um atropelamento na sexta-feira. O grupo também reivindicava a regularização dos barracos e a instalação de serviços como saneamento. Um grande congestionamento se formou nos dois sentidos.

O mesmo ocorreu durante toda a manhã em Contagem, onde, também segundo a PM, cerca de 300 pessoas queimaram pneus e outros materiais para fechar a via que liga o município a Esmeraldas, também na Região Metropolitana. O grupo protestava contra uma ação judicial de reintegração de posse de uma área no bairro Tupã, ocupada por cerca de 100 famílias desde o início do ano. A rodovia ficou fechada por cerca de quatro horas e o tráfego só foi liberado no fim da manhã. Nos dois protestos, não houve registro de violência.

Ocupa Cabral. Já no Rio, passados 52 dias desde que manifestantes deixaram o canteiro central da Avenida Delfim Moreira, no Leblon, zona sul do Rio, 12 ativistas iniciaram, na madrugada de ontem, uma reedição do "Ocupa Cabral". Por volta das 14h, sete foram detidos por PMs e levados para a delegacia do bairro. De acordo com a Polícia Civil, eles foram encaminhados à 14.ª DP "porque um menor de 17 anos, que estava com o grupo, foi encontrado fumando maconha na praia". Ele foi autuado e seria entregue aos responsáveis; os outros seis foram ouvidos e liberados em seguida.

Nove homens e três mulheres chegaram ao local às 6h. Eles são identificados com a tática Black Bloc, mas dizem que a proposta do agora chamado "Ocupa Leblon" é pacífica. "Não daremos margem para que nos expulsem", diz um dos manifestantes, de 21 anos. Ele prefere não se identificar.

As informações sobre a ocupação circulam especialmente no perfil do Facebook "Black Bloc RJ". Há jovens de todos os cantos do Rio e da Baixada Fluminense, segundo eles. A maioria estuda - especialmente em cursos universitários, que vão de Computação Gráfica a Administração. Um dos participantes, porém, admite que deixou o curso de Publicidade para agregar-se ao movimento.

Pelo menos 15 PMs, com duas viaturas, além de guardas municipais, faziam a segurança da residência de Cabral.

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