Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Belas Artes fecha na 5ª com ''La Dolce Vita''

Dono do imóvel não aceitou proposta de aluguel; últimas sessões terão clássicos

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

15 Março 2011 | 00h00

Depois de um impasse que durou quase três meses, propostas, contrapropostas e grande mobilização dos paulistanos, o Cine Belas Artes vai mesmo fechar nesta semana. Quinta-feira ocorre a última sessão do cinema, que existe desde 1952 na Rua da Consolação, perto da esquina da Avenida Paulista.

Como despedida, na última sessão de cada uma das salas serão rodados seis clássicos do cinema mundial: O Leopardo (Luchino Visconti, 1963), La Dolce Vita (Federico Fellini, 1960), Queimada! (Gillo Pontecorvo, 1969), O Joelho de Claire (Eric Rohmer, 1970), No Tempo do Onça (Irving Brecher, 1940) e O Águia (Clarence Brown, 1925).

"Nossa última oferta foi recusada. Estou arrasado. Mas ainda existe a esperança de que o cinema seja tombado", disse o cineasta e empresário André Sturm, dono da distribuidora Pandora Filmes e sócio do cinema junto com a O2, do cineasta Fernando Meirelles.

Nem o abaixo-assinado com cerca de 16 mil assinaturas nem as 80 mil pessoas que se manifestaram contra o fechamento no Facebook foram suficientes para mobilizar o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, a aceitar um acordo que superava R$ 1 milhão anual de aluguel. "Recebemos o cinema no começo da semana que vem, mas até haver uma posição oficial sobre um eventual tombamento não vamos alugar o prédio", garantiu o advogado Fábio Luchesi Filho, que representa Maluf.

O dono do imóvel queria cobrar dos sócios do Belas Artes aluguel de R$ 150 mil por mês. O valor que estava sendo pago, reajustado no ano passado, era de R$ 63 mil. Com a ameaça do despejo, Sturm articulou com patrocinadores a possibilidade de fazer uma oferta que seduzisse o proprietário. Maluf já havia recusado a oferta de R$ 85 mil. Ontem, não aceitou a última proposta, ainda maior, cujo valor Sturm não quis revelar.

O cineasta Fernando Meirelles já havia anunciado que um dos projetores do cinema será doado para a Escola de Comunicação e Artes da USP.

Ainda falta, no entanto, um posicionamento do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) a respeito do tombamento do Belas Artes. Segundo o presidente do Conpresp, José Eduardo Lefèvre, o conselho aguarda relatório do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura (DPH), que deve ser entregue em abril.

Projetado pelo arquiteto italiano Giancarlo Palanti, o prédio teve a fachada reformada, o que diminui o interesse pela arquitetura do cinema. Isso dificulta as chances do chamado tombamento material. Como a função do prédio também não pode ser tombada, a preservação imaterial da atividade de cinema do Belas Artes também é de difícil regulamentação. Para propor o tombamento, os técnicos do DPH precisam encontrar uma saída jurídica. Enquanto o Conpresp não se definir sobre o tombamento, nenhuma obra pode ser feita no local.

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