Beira-Mar volta para Catanduvas

Preso desde fevereiro em Porto Velho, traficante estaria rearticulando esquema de rede criminosa; é a 3ª vez que ele vai para o Paraná

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2012 | 03h05

Em meio a rumores de que estaria rearticulando esquema para comandar sua rede criminosa, o traficante Fernandinho Beira-Mar foi transferido ontem, pela terceira vez, para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Depois de passar por cinco Estados nos últimos anos, estava encarcerado desde fevereiro no presídio federal de Porto Velho (RO), onde a polícia detectou indícios de possíveis comparsas do traficante estabelecendo-se na cidade.

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que o rodízio de presos perigosos faz parte de uma política regular adotada nos últimos anos nos presídios federais de segurança máxima. Um dos objetivos é impedir que eles criem vínculos com outros detentos ou viabilizem meios de comandar seus negócios da prisão, com auxílio de parentes ou advogados.

Ontem, além de Beira-Mar, outros 108 presos mudaram de endereço, em uma megaoperação que mobilizou 23 agentes, dois aviões e diversas viaturas.

Forte esquema de segurança foi montado para a escolta do traficante desde o Aeroporto de Cascavel, onde o avião do Depen pousou, até Catanduvas, a 55 km.

Outros presídios federais também tiveram um dia movimentado. O de Porto Velho, de onde saiu Beira-Mar e outros oito detentos, recebeu 19 presos transferidos de outras unidades. No de Mossoró (RN), saíram 11 e chegaram 11, enquanto o de Campo Grande (MS) recebeu 43 e despachou 15.

A tática do rodízio é adotada desde 2008, quando o governo abortou planos de atentados arquitetados por Beira-Mar e pelo traficante colombiano Juan Carlos Abadía. Eles se uniram aos maiores ladrões de banco do País no presídio federal de Campo Grande para aterrorizar juízes que atuavam nos seus processos e autoridades que poderiam atrapalhar os negócios milionários das quadrilhas.

Trajetória. Luiz Fernando da Costa foi criado na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em 1989, aos 22 anos, tornou-se um dos chefes do tráfico na área. Foi considerado um dos maiores traficantes de drogas e armas da América Latina.

Beira-Mar foi condenado duas vezes pela Justiça por vários crimes. A primeira condenação - 12 anos de prisão por tráfico de drogas - saiu nos anos 1990, em Cabo Frio. Estava foragido e foi preso em 1996 em Belo Horizonte. Recebeu nova condenação, mais 12 anos, mas fugiu da carceragem da Polícia Civil de Minas, em 1997. Em 2001, foi capturado na selva colombiana.

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