Beija-Flor, Salgueiro e Mangueira são os destaques do 1° dia no Rio de Janeiro

Grande Rio inova e leva homem-bala para a Marquês de Sapucaí

O Estado de S.Paulo,

03 Março 2014 | 02h02

Atualizado às 5h40

RIO - O primeiro dia do desfile de escolas de samba do Rio foi marcado por homenagens. Seis escolas passaram pela Sapucaí entre a noite de domingo, 2, e a madrugada desta segunda-feira, 3: Império da Tijuca, Grande Rio, São Clemente, Mangueira, Salgueiro e Beija-Flor.

Treze anos depois de surpreender a Sapucaí com um homem voador, a Grande Rio deixou o público boquiaberto ao trazer um homem-bala, lançado de um canhão sobre uma rede. A inovação veio na comissão de frente da escola, mostrando que dinheiro não faltou ao carnavalesco Fábio Ricardo.

Outra novidade foi o tamanho da alegoria da comissão: um navio pirata gigantesco, de 30 metros de comprimento, quando o que se costuma ver são tripés de apoio de dimensões bem mais modestas. A escola de Duque de Caxias homenageou o município de Maricá e conseguiu patrocínio de R$ 4,5 milhões da prefeitura. Foi das que mais gastaram neste carnaval: cerca de R$ 15 milhões.

Com 23 anos de experiência, o homem-bala pirata chama-se Chachi Valencia e foi descoberto pela escola num show em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em 2001, sob o comando de Joãosinho Trinta, quando desfilou em homenagem ao profeta Gentileza, a Grande Rio importou um homem voador vestido de astronauta também dos EUA.

Depois do impacto do homem-bala, o desfile pouco empolgou. O enredo misturava homenagem aos 20 anos de Maricá e à cantora Maysa, que tinha casa na cidade.

Sem recursos. A noite foi aberta pela Império da Tijuca. O bom samba, de refrão poderoso, não foi suficiente para que a escola da zona norte fizesse um desfile digno do Grupo Especial. A Tijuca voltou à elite, depois de 17 anos em divisões inferiores, com um enredo bem amarrado, Batuk, sobre a influência na cultura brasileira dos ritmos africanos trazidos pelos escravos no século 16.

Mas o desenvolvimento da escola não foi criativo e a falta de recursos era evidente: os carros alegóricos e fantasias eram simples, com cara de escola pequena. No carro que aludia ao mangue beat pernambucano, uma garra da escultura de caranguejo "feria" a cada toque um dos bonecos que representavam dançarinos de frevo, arrancando-lhe pedaços.

A São Clemente foi a terceira escola da noite. Com um enredo sobre favelas, a escola de Botafogo teve no abre-alas uma encenação da Guerra de Canudos - confronto entre o Exército Brasileiro e os integrantes de um movimento popular liderado por Antônio Conselheiro, entre 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, na Bahia. O desfile marcou a estreia de Raphaela Gomes, de 15 anos, como rainha de bateria. "Estou nervosa, mas amo a escola e estou preparada", disse. Ainda desfilariam Mangueira, Salgueiro e Beija-Flor.

A "festança brasileira" da Mangueira passou bonita e animada pela Sapucaí, agitando o público e encantando pelas alegorias bem acabadas - marca da carnavalesca Rosa Magalhães -, alas coreografadas e entusiasmo dos 4.500 componentes. No entanto, a escola, que saudou as festas mais populares de diferentes regiões do País, fez um desfile irregular.

Começou bem, com uma comissão de frente singela, porém potente e de fácil compreensão, que simbolizava a evolução das festas desde os primeiros contatos dos indígenas com os europeus. E acabou mal, com a escultura mais alta do quinto carro alegórico decepada pela torre de TV - um erro primário da carnavalesca que mais vezes venceu na Passarela do Samba.

O Salgueiro fez um desfile marcado por incidentes com carros alegóricos. O abre-alas, que representa o Templo Sagrado de Olorum, queimou a embreagem e precisou ser empurrado por 15 homens. A alegoria chegou a ficar parada por alguns minutos em frente ao setor 3 e um espaço na pista abriu um pouco antes da primeira cabine dos jurados. O quarto carro (Fogo) desfilou apagado. O quinto (Ar) também teve problemas com a embreagem.

Última escola a se apresentar, a Beija-Flor fez um desfile exuberante, mas sem grandes emoções. A escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, homenageou o empresário e ex-superintendente da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni). Levou vários artistas para a avenida, entre os quais Antonio Fagundes, Tarcisio Meira e Regina Duarte, e os apresentadores Faustão e Pedro Bial. A Beija-Flor também teve contratempos. No final do desfile, um destaque no alto de um carro alegórico perdeu parte da fantasia ao se chocar com a torre de TV.

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