Bebida é feita em alambiques sem registro

Por enquanto, não existe uma lei municipal contra o consumo da pinga embalada em garrafa de plástico. Na prática, ela já é proibida porque é feita em alambiques sem registro na Receita Federal, que realiza blitze mensais em pontos de vendas clandestinos. No ano passado, 200 produtores irregulares foram fechados no País, 40 só no Estado de São Paulo.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2010 | 00h00

Para evitar o consumo da "barrigudinha" entre pescadores e catadores de latas de alumínio, a prefeitura de Ilhabela, no litoral paulista, foi a primeira e única cidade no País a proibir a venda da pinga embalada em garrafa de plástico. O projeto, de autoria do vereador Luiz Mário de Almeida (PV), foi sancionado e também vedou a venda de cigarros com sabores. A multa ao comerciante infrator é de R$ 1 mil e pode resultar na cassação do alvará de funcionamento em caso de reincidência. O projeto foi criado após muitos usuários da bebida entrarem em coma alcoólico em postos de saúde do município.

Coordenador da Associação Rede Rua, que atende por dia 800 moradores da região central da capital paulista, Alderon Pereira da Costa alerta que o consumo da "barrigudinha" tem aumentado os casos mais graves de alcoolismo entre os moradores de rua. "Essa pinga destrói por dentro e causa cirrose muito rápido. Seria importante ter uma política pública de redução de dano, controlando a qualidade do álcool vendido pela população de rua, da mesma forma que a bebida vendida para a classe média já é fiscalizada", diz o assistente social.

Revenda. No mercado negro, a "barrigudinha" é oferecida por representantes de vendas que percorrem bares do centro. Em um mercado na Alameda Eduardo Prado, um representante falou com a reportagem e disse vender cem caixas da pinga por semana. "A saída da "barrigudinha" é impressionante. Se você tiver, seu bar vai ter gente o dia inteiro. Só que tem dono que nem gosta de colocar essa pinga porque o público dela afasta os outros consumidores."

PARA LEMBRAR

Catador pegou bebida e ficou 7 meses preso

No dia 8 de julho de 2007, o catador de sucata Reginaldo Pereira da Silva, de 30 anos, saiu de casa embriagado, pegou a cachaça mais barata no supermercado vizinho, abriu ali mesmo e começou a beber. A caninha conhecida como "barrigudinha" custava só R$ 1,50.

Denunciado por tentativa de furto, Silva ficou preso sete meses após confessar o crime. O catador só foi solto depois que a Defensoria Pública do Estado entrou com um pedido de anulação do processo.

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