Bebês assassinados em São Paulo são enterrados no Triângulo Mineiro

Família não pode velá-los por causa do estado dos corpos; suspeito pelo crime está preso e sem advogado, que resolveu deixar o caso

Rene Moreira, Especial para o Estado

18 Fevereiro 2015 | 21h50

Em meio a comoção e revolta, foram enterrados nesta quarta-feira, 18, no Cemitério São João Batista, em Uberaba (MG), os corpos dos gêmeos Ana Flavia e Lucas, de 2 meses. Mortos com tiros na cabeça, eles foram encontrados nesta terça-feira em um matagal no município de Buritizal (SP). Por causa do estado dos corpos, familiares não puderam velá-los.

A mãe, Izabella Marques Gianvechio, de 22 anos, também foi morta com um tiro. Seu corpo foi localizado na quinta-feira da semana passada, 12, em Aramina (SP). O empresário Matusalém Ferreira Júnior, de 48 anos, da cidade de Sacramento (MG), foi preso por envolvimento no crime. Ele seria o pai dos bebês e se recusava a assumir a paternidade.

Ferreira Júnior e um comparsa teriam tirado a mãe do carro, ao lado de uma rodovia em Aramina, e atirado na cabeça. Depois, um pouco mais adiante, já no município de Buritizal, teriam feito o mesmo com os bebês. Em seguida, a dupla teria incendiado o veículo em que estavam.

O empresário nega ter matado as vítimas, mas à polícia contou ter contratado os serviços de outra pessoa. Ao ser levado para a cadeia, ele negou que a intenção fosse matá-los. "Não fui eu, estou sofrendo também", afirmou.

A versão, porém, não convenceu a polícia. A delegada Carla Bueno, de Uberaba, afirma não ter dúvidas de que Ferreira Júnior orquestrou o crime e contou com a ajuda de um homem de 37 anos, identificado como Antônio Moreira Pires, que está sendo procurado.

Defesa. Foi o empresário que levou a polícia ao local onde estavam os corpos dos bebês, após se apresentar na delegacia na terça-feira. Na área, foram encontrados um revólver e as cadeirinhas usadas para transportar as crianças no carro. Ferreira Júnior foi indiciado, ao lado do comparsa, pelos crimes de sequestro, triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáveres. 

Ele está na Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, no Triângulo Mineiro, e confirmou em depoimento que teve um relacionamento com a mulher e que acreditava ser mesmo o pai das crianças. O homem ficou sem advogado, pois o defensor Odilon dos Santos resolveu deixar o caso sob o argumento de que seu cliente mentiu ao garantir que não sabia o paradeiro dos bebês.

O empresário enfrentou protesto ao deixar a delegacia de Uberaba rumo à penitenciária. Aos gritos de "justiça" dezenas de pessoas tentaram sem sucesso se aproximar da viatura.

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